Representantes das Nações Unidas e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) apelaram esta sexta-feira à necessidade de travar o grupo terrorista Boko Haram, que tem devastado a Nigéria e está a entrar nos países vizinhos.

O presidente do Gana, John Dramani Mahama, que atualmente preside a CEDEAO, disse esperar alcançar «um plano de ação específica para acabar com o problema do terrorismo em África», referindo-se aos ataques do Boko Haram, que têm matado milhares de pessoas na Nigéria e feito reféns mulheres e crianças.

«Nós não podemos ficar sentados em silêncio, à espera, de braços cruzados, para que a comunidade internacional intervenha. Não quando os nossos irmãos e irmãs foram massacrados e queimados nas suas casas e nas ruas de suas cidades e aldeias», criticou o presidente.

«Não quando os nossos filhos estão algures à espera para serem trazidos para casa. Não quando temos o poder e a capacidade de lutar», defendeu John Mahama.


Nos últimos dias voltaram a estar em destaque os relatos de sobreviventes dos ataques perpetrados pelo grupo radical islâmico.

As palavras de John Dramani Mahama vão no sentido das da secretária-geral adjunta da ONU, Leila Zerrougui: «Vemos o Boko Haram a deslocar-se para os países vizinhos», disse em Abuja, considerando que a situação «requer uma resposta regional».

Os radicais do Boko Haram, que pretendem instaurar um estado islâmico no norte da Nigéria, maioritariamente muçulmano, ao contrário do sul, de maioria cristã, causaram cerca de 13.000 mortos e 1,5 milhões de deslocados desde o início da sua insurreição, em 2009.