O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, defendeu hoje, que a Europa - zona euro - precisa de um ministro das Finanças, durante o seu discurso sobre o estado da União, em Estrasburgo, que deu início à rentrée do Parlamento Europeu.

Juncker considera que o Velho Continente deve aproveitar o “vento favorável” atual para construir uma Europa “mais forte”, e apontou cinco prioridades para próximo ano. Com base no programa de trabalho da Comissão para 2018, o presidente da Comissão Europeia realçou cinco áreas onde deseja ver a União Europeia mais forte: no comércio, indústria, alterações climáticas, cibersegurança e migrações.

O vento é outra vez favorável, temos agora uma janela de oportunidade, mas que não vai ficar aberta para sempre. Aproveitemos por isso ao máximo o bom momento, e o vento nas nossas velas”, disse.

Uma expressão que foi postada no Twitter do próprio. 

Para Juncker "o Brexit não é o futuro da Europa. A Europa continuará".  E talvez por essa razão seja, na sua opinião, preciso “um ministro europeu da Economia e Finanças”. Uma solução que surgiria após a fusão dos postos de comissário europeu dos Assuntos Económicos e de presidente do Eurogrupo, acrescentou. Tudo para conseguir “uma união económica e monetária mais forte”, sugeriu.

E porque o futuro não para, o presidente da Comissão Europeia defendeu a celebração de uma “cimeira especial” a 30 de março de 2019, no primeiro dia “pós-Brexit”, que assinale o nascimento de uma nova União Europeia a 27 mais unida, forte e democrática.

Ao mesmo tempo que o presidente da Comissão Europeia coloca o enfase, do seu discurso na abertura do ano parlamentar, no futuro conjunto  dos países e nas novas trocas comerciais. No que toca aos acordos comerciais, o responsável quer o novo acordo de trocas "fechado até 2019." Abrindo também caminhas às trocas "com a Austrália e Nova Zelândia."

Quanto ao investimento estrageiro, também é bem-vindo mas com condições, porque a Europa não está a dormir:  "A União Europeia (UE) tem um plano para investimentos estrangeiros em ativos estratégicos na União Europeia, empresas."

Ainda sobre este tema, Juncker adverte que a União Europeia não é "ingénua" e é necessário montar um quadro de triagem de investimentos, tendo em conta as preocupações sobre uma onda de aquisições chinesas.  

A Europa defenderá os interesses estratégicos com um quadro da UE para o investimento [estrangeiro]", disse, ampliando a posição forte apoiada pela França, mas que, provavelmente, irritará Pequim

Roménia e Bulgária no espaço Schengen (de livre circulação) e aviso à Turquia

O executivo comunitário argumentou que uma Europa com robustas fronteiras externas, como deve ser o caso, também tem que ser “inclusiva”, e sustentou que é chegada a altura de dar acesso ao espaço Schengen a Roménia e Bulgária, e, em breve, à Croácia, assim que este país cumprir todos os critérios.

Aliás, para Juncker, em 2019, todos os países da UE devem estar na zona euro, no espaço de Schengen (zona de livre circulação) e na união bancária. Pelo menos foi o cenário que deixou hoje no seu discurso no seu discurso do estado da União.

Juncker manifestou o desejo de ver mais países aderirem à zona euro, pois o euro deve ser mais que a moeda de um grupo de países, e deve servir “para unir o continente, e não dividi-lo”.

Mas nem todos os países são, para já, bem-vindos, Juncker admitiu que não é previsível que num futuro próximo a Turquia reúna as condições para aceder à União Europeia e instou Ancara a parar de insultar os Estados-membros e líderes europeus.

Jean-Claude lembrou que qualquer negociação com países candidatos assenta, acima de tudo, no “estado de direito, justiça e valores fundamentais”, o que, argumentou, “afasta a Turquia” da adesão.

Segundo Juncker, “há já um tempo considerável que a Turquia se tem afastado” dos valores europeus e, como tal, da UE.

Portugal apoia ideia de criar 'ministro das Finanças' europeu 

O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou que a ideia sobre a fusão dos postos de comissário europeu dos Assuntos Económicos e de presidente do Eurogrupo é positiva.

A proposta "vem no sentido do que já tem sido defendido por Portugal; o que já existe hoje na política externa da União, uma alta representante que fala em nosso nome, a nossa ministra dos Negócios Estrangeiros, digamos, e que é também vice-presidente da Comissão Europeia, provou bem na frente externa e pode provar bem na frente financeira e orçamental", argumentou Augusto Santos Silva.

Falando aos jornalistas à margem da celebração do início do ano letivo do ensino do português no estrangeiro, que decorreu esta manhã, no Instituto Camões, em Lisboa, Santos Silva vincou que "a criação dessa eventual figura é a tradução, do ponto de vista institucional, de uma reforma da união económica e monetária que temos de fazer".

Santos Silva considerou o discurso do presidente da Comissão Europeia "muito positivo e importante", dizendo que Portugal se revê nas cinco prioridades apontadas por Juncker no discurso, e vincou que a criação da nova figura comprova é necessário reformar a União Europeia a nível económico.

Tal como está, a união económica e monetária é imperfeita, tem uma acentuada divergência entre as economias e nenhuma UEM funciona se for imperfeita e favorecer a divergência em vez da convergência", salientou o governante.