Ninguém vai ser responsabilizado pelo ataque aéreo israelita que matou quatro crianças que jogavam à bola numa praia de Gaza, durante o conflito do verão passado. O raide foi testemunhado por jornalistas. Israel abriu uma investigação ao caso, mas deu-a por encerrada agora, sem qualquer acusação.

“As figuras que foram observadas antes do ataque não foram identificadas em nenhum momento como crianças”, refere um relatório militar, que iliba os pilotos, por considerar que a praia era uma zona “exclusivamente utilizada” por combatentes palestinianos.


“Depois das autorizações necessárias, foi decidido lançar um ataque aéreo, uma vez que se tinha descartado a presença de civis na área”, sublinha o documento, apesar do bombardeamento ter sido testemunhado por jornalistas e outras pessoas, que garantiram que na praia só estavam crianças a jogar futebol.

Os militares admitem que se tratou de um “erro trágico”, mas frisam que o raide “foi levado a cabo de acordo com as leis israelitas e internacionais”. 


O conflito em Gaza do ano passado terminou com mais de 2100 palestinianos mortos, maior parte deles civis. Do lado israelita, morreram 67 soldados e seis civis. 

Israel acusa o Hamas da responsabilidade da morte de não combatentes em Gaza, dizendo que a população local foi deliberadamente usada como um escudo humano durante o conflito. 

Além do encerramento deste processo, os militares disseram que irão ser também dadas por terminadas as investigações de ataques que mataram 22 palestinianos, nos dias 21 e 29 de julho. 

Ainda a ser analisado está um ataque em que morreram 9 pessoas num café bombardeado a 9 de julho.