O administrador de Ferguson, onde um jovem negro foi morto a tiro, pela polícia no verão passado, demitiu-se, esta terça-feira, após um relatório negativo do Departamento de Justiça sobre as autoridades daquela cidade do estado norte-americano do Missouri.

«Valorizamos o serviço e compromisso de John Shaw para com a cidade ao longo dos últimos oito anos, mas (…), por mais duro que seja, este é o momento apropriado para começar a procurar um novo administrador», disse o presidente da câmara de Ferguson, James Knowles, em comunicado.

No âmbito das suas funções de administrador da cidade, John Shaw supervisionava o departamento da Polícia e nomeava o juiz do município, o qual apresentou a sua demissão na segunda-feira na sequência das críticas do Departamento de Justiça sobre a gestão que fez do caso.

Um relatório do Departamento de Justiça norte-americano, publicado esta semana, questiona as práticas tanto da polícia como das autoridades e órgãos judiciais de Ferguson e, em particular, o juiz municipal Ronald J. Brockmeyer por criar taxas judiciais «abusivas e potencialmente ilegais».

Como consequência, o Supremo Tribunal do Missouri decidiu, esta segunda-feira, transferir a um juiz estadual os casos municipais de Ferguson, para reformar o sistema e recuperar a confiança após o relatório.

No documento do Departamento de Justiça, apresentado na passada quarta-feira, sobre a atuação geral da polícia de Ferguson, esta é acusada de violar sistematicamente os direitos civis da população negra, com detenções sem motivo aparente e uso excessivo da força sobretudo contra essa comunidade.

A investigação federal revelou que nos últimos dois anos os cidadãos afroamericanos de Ferguson, que representam 67% da população, foram alvo de 85% das detenções por tráfico, que em 93% das detenções e em 88% dos casos a polícia recorre ao uso da força.

Em agosto do ano passado, o polícia branco Darren Wilson matou Michael Brown, um jovem negro de 18 anos, que estava desarmado. Um grande júri decidiu em 24 de novembro não acusar o polícia.

O caso de Ferguson, que desencadeou massivos protestos, veio reabrir dois debates chave nos Estados Unidos: a discriminação racial e a violência policial.