O ex-chanceler alemão Helmut Schmidt morreu nesta terça-feira, aos 96 anos, depois de o seu estado de saúde se ter degradado significativamente no último fim de semana, indicou a agência de notícias alemã.

O antigo dirigente social-democrata, chanceler de 1974 a 1982, era um grande fumador, tinha um pacemaker desde 1981 e teve em 2012 um enfarte do miocárdio, tendo sido submetido a um ‘bypass’ coronário.

Chanceler a partir de 1974, após a demissão de outra grande figura da social-democracia alemã, Willy Brandt, e reconduzido em 1976 e 1980, Helmut Schmidt mostrou-se sempre inflexível perante a violência do grupo de extrema-esquerda Fação do Exército Vermelho (RAF), também conhecido como Baader-Meinhof, e foi o homem das reformas sociais e do apaziguamento com o Leste.

Conhecido como “o chanceler de ferro”, Schmidt foi o primeiro a denunciar a implantação dos mísseis balísticos soviéticos SS-20, em 1977, e a defender a dos euromísseis da NATO.

Europeu convicto, criticou o modo como o seu sucessor Helmut Kohl conduziu a unificação da Alemanha.

Foi ainda o “pai” do sistema monetário europeu, juntamente com o antigo presidente francês Valéry Giscard d’Estaing.

Retirado da vida política há mais de 30 anos, ainda recentemente contribuía para os debates políticos e intelectuais do seu país.

Autor de três dezenas de livros, foi chefe de redação (1983) e depois diretor (1985-1989) do Die Zeit, um dos mais prestigiados semanários alemães.

A chanceler alemã, Angela Merkel, elogiou o seu antecessor Helmut Schmidt, classificando-o como “uma instituição política” e uma autoridade “cujo conselho e cuja opinião significavam alguma coisa” para si.

Merkel disse que os alemães tinham desenvolvido uma “profunda afeição” por Schmidt, e estavam “impressionados pela sua humildade pessoal e o seu sentido do dever”.

Merkel nasceu na cidade natal de Schmidt, a portuária Hamburgo, antes de o seu pai, um pastor luterano, levar a família para lá da Cortina de Ferro, na que então era a Alemanha de Leste.
 

Mário Soares elogia “grande estadista alemão”

O ex-Presidente Mário Soares expressou “grande consternação” pela morte do antigo chanceler, que classificou como “grande estadista alemão”, numa mensagem de condolências enviada à família.

“Foi com grande consternação que recebi a tristíssima notícia do falecimento do grande estadista alemão e meu querido amigo Helmut Schmidt. Sempre o admirei e tive por ele um grande apreço”, lê-se no texto a que a Lusa teve acesso.


Mário Soares definiu o antigo dirigente social-democrata alemão como uma “personalidade de grande rigor e competência” e “uma referência para a Alemanha e para a União Europeia”.

“Não posso esquecer o grande apoio que sempre deu a Portugal”, frisou.

“Apresento à família enlutada, ao SPD e à Alemanha as minhas muito sentidas condolências”, concluiu o ex-chefe de Estado português.