Notícia atualizada das 12h42

O Prémio Nobel da Paz foi atribuído nesta sexta-feira à activista paquistanesa Malala e ao indiano Kailash Satyarthi.




Prémio atribuído pela «luta contra a repressão de crianças e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação». Este é o primeiro Nobel a ser atribuído a uma paquistanesa e o oitavo para um cidadão nascido na Índia. 

Segundo o comité Kailash Satyarthi mostrou grande coragem na luta pela grave exploração infantil. Já Malala, que já em 2013 foi apontada como possível vencedora, foi distinguida por se ter tornado na voz das jovens que lutam pelo direito à Educação. 

Em comunicado, o Papa Francisco, um dos favorito na corrida, pela sua defesa dos pobres, já felicitou os novos prémios Nobel da Paz. 

A presidente da Confederação de Ação Sobre o Trabalho Infantil afirmou que a atribuição do Nobel da Paz a dois ativistas dos direitos das crianças reforça o combate aos abusos e deverá ter efeitos em todo o mundo. «Este reconhecimento vem reforçar todo o combate necessário contra os abusos que existem, ainda nos nossos tempos, sobre as crianças», afirmou Fátima Pinto à Lusa.

O presidente da Comissão de Proteção de Crianças enalteceu o trabalho de Malala Yousafzai e Kailash Satyarthi. «Esta atribuição pode ajudar a estimular a nossa responsabilidade individual e coletiva para que o trabalho infantil seja erradicado. É um estímulo para fazermos mais e melhor em função do futuro das crianças.

A presidente do Instituto de Apoio à Criança mostrou-se muito satisfeita com a atribuição do prémio Nobel da Paz à paquistanesa Malala Yousafzai. «A Malala tem sido uma voz que é já uma bandeira dos direitos fundamentais das crianças à educação e à liberdade de expressão de pensamento, porque ela também representa essa liberdade de expressão», disse Dulce Rocha, em declarações da agência Lusa.

Na luta pelo direito à educação

Com 60 anos, Kailash Satyarthi é um dos promotores da Marcha contra o Trabalho Infantil e já resgatou mais de 60 mil crianças forçadas a trabalhar e também adultos mantidos sob regime de escravidão. 

Kailash Satyarthi adoptou os ensinamentos de Gandhi para dar voz ao protesto pacífico contra o trabalho infantil. 

Conheça o Nobel da Paz:  veja o perfil completo de Kailash Satyarthi

«As crianças devem ir à escola e não serem exploradas financeiramente», disse o presidente do comité do Prémio Nobel, Thorbjoern Jagland.  

O ativista indiano disse estar «encantado» por ter sido distinguido com o Nobel da Paz, qualificando o prémio de «reconhecimento da luta pelos direitos das crianças».Agradeceu ainda ao comité Nobel por ter «reconhecido a situação de milhões de crianças que sofrem no mundo moderno», segundo a agência Press Trust of India., citada pela Lusa.    

Malala, a ativista ferida pelos talibãs que virou Nobel da Paz

Malala tornou-se num símbolo reconhecido internacionalmente de resistência aos esforços dos talibãs em negar educação e outros direitos às mulheres.

A história que comoveu o mundo:  veja o perfil completo de Malala Yousafzai

Tinha 14 anos em 2012 quando foi atingida na cabeça e, segundo alguns relatos, também no pescoço por ser anti talibã. O ataque registou-se quando Malala Yousafzai ia de casa para a escola, na cidade de Mingora.

Para os talibãs, a jovem paquistanesa era uma presença incómoda porque defendia o direito das crianças aos estudos, direito proibido pelos extremistas islâmicos.

Foi transferida para um hospital no Reino Unido onde recuperou das lesões sofridas.

No passado dia 12 de setembro, dez elementos do grupo de militantes talibãs que atingiu Malala no rosto foram identificados e presos pelas autoridades paquistanesas

Entrega dos prémios será em dezembro

O anúncio foi feito esta manhã em Oslo pelo presidente do Comité Norueguês do Nobel, Thorbjoern Jagland. Este ano, o comité recebeu 278 candidaturas, mas as identidades estarão omissas durante 50 anos.

Em 2013, o prémio foi atribuído à Organização para a Proibição das Armas Químicas, responsável pela destruição do arsenal nuclear na Síria.

Falta apenas apurar o galardoado com prémio Sveriges Riksbank de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel previsto para 13 de outubro.

Os prémios serão entregues a 10 de Dezembro, aniversário da morte do magnata sueco fundador do galardão, Alfred Nobel (1833-1896), químico e inventor da dinamite.

No âmbito dos prémios Nobel já foram distinguidas 22 organizações, 856 pessoas, incluindo 45 mulheres. Os galardoados recebem um diploma, uma medalha de ouro e prémio monetário de cerca de 900 mil euros.