A chanceler alemã, Ângela Merkel, mostrou-se pouco otimista acerca do sucesso da iniciativa franco-alemã de paz para a Ucrânia, apresentada na sexta-feira em Moscovo.

«Não é certo que estas discussões sejam bem-sucedidas (...), mas nós partilhamos da opinião do presidente François Hollande, de que vale a pena tentar», disse ela na conferência sobre Segurança que decorre em Munique (sul da Alemanha).

Por sua vez, o presidente francês, François Hollande, considerou que as conversações lideradas pela França e pela Alemanha com a Rússia para tentar um acordo de paz na Ucrânia são «uma das últimas oportunidades» para evitar a «guerra».

«Eu acho que esta é uma das últimas oportunidades», disse à imprensa Hollande, de volta à França após negociações.

«Se não conseguirmos encontrar um acordo de paz duradouro, sabemos perfeitamente o cenário: ele tem um nome, é chamado de guerra», advertiu o presidente francês.

«Negociações vão continuar»

O ministro russo dos Assuntos Estrangeiros disse, este sábado, estar a «fazer o possível» para chegar a acordo para «resolver o conflito» no leste da Ucrânia, depois de uma iniciativa franco-alemã nesse sentido, apresentada na sexta-feira em Moscovo.

«As negociações vão continuar. Nós acreditamos que é perfeitamente possível ter resultados e chegar a acordo sobre recomendações que permitirão a ambos os lados resolver verdadeiramente o conflito», disse Sergei Lavrov na Conferência de Munique sobre Segurança.

O Presidente francês e a chanceler alemã reuniram-se em Moscovo com o chefe de Estado russo, durante perto de cinco horas, para tentar chegar a um acordo sobre a crise na Ucrânia e terminar os combates, tendo ficado acordado elaborar um texto para um futuro plano de paz.

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, os contactos para a elaboração do texto vão continuar domingo por telefone entre os três líderes e Kiev.

A iniciativa de paz franco-alemã, apoiada pelos Estados Unidos e pela União Europeia, decorre 10 meses após o início do conflito que já fez pelo menos 5.300 mortos e que provocou uma crise internacional.

A 51.ª edição da Conferência de Segurança de Munique, que se iniciou na sexta-feira e decorre até domingo, tem como tópicos centrais o colapso da ordem internacional, tendo em conta a crise na Ucrânia e as suas implicações na segurança europeia.