O Conselho de Segurança da ONU prepara novas sanções contra a Coreia do Norte em resposta à realização de um  teste nuclear que o regime de Pyongyang anunciou ter feito esta quarta-feira. De acordo com a agência Reuters, o Conselho de Segurança "condena veementemente" novos testes nucleares.

"Os membros do Conselho de Segurança... lembraram que expressaram anteriormente a sua determinação para tomar mais medidas significativas no caso de outro teste nuclear da DPRK [Coreia do Norte]", disse esta quarta-feira, em conferência de imprensa, o presidente do Conselho de Segurança, Elbio Rosselli.

“Em linha com este compromisso e com a gravidade desta violação, os membros do Conselho de Segurança vão começar a trabalhar imediatamente em tais medidas numa nova resolução do Conselho de Segurança", afirmou, acrescentando que o teste nuclear foi "uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança".

O anúncio da Coreia do Norte foi recebido com grande ceticismo por especialistas, ao mesmo tempo que provocou várias condenações imediatas em todo o mundo.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, qualificou as declarações da Coreia do Norte como "profundamente preocupantes" e "profundamente desestabilizadoras para a segurança regional".

"Este teste mais uma vez viola numerosas resoluções do Conselho de Segurança (…). É também uma grave violação da norma internacional contra os testes nucleares", acrescentou Ban Ki-Moon, aos jornalistas, pouco antes da reunião de emergência entre os embaixadores dos 15 países membros do Conselho de Segurança, solicitada pelos EUA e pelo Japão.

O secretário-geral das Nações Unidas pediu a Pyongyang que pare qualquer outra atividade nuclear e cumpra as obrigações para "provar que não possui nenhum programa nuclear".

Várias resoluções da ONU proíbem Pyongyang de realizar qualquer atividade nuclear sob a pena de ser alvo de sanções. 

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Jens Stoltenberg, disse em comunicado que condena "o contínuo desenvolvimento pela Coreia do Norte de armas nucleares e programas de mísseis balísticos e a retórica inflamatória e ameaçadora".
 

Casa Branca cética sobre bomba de hidrogénio 

 
A análise inicial do suposto teste nuclear que Pyongyang fez esta quarta-feira não é consistente com um teste de bomba de hidrogénio bem-sucedido, informa a Casa Branca.
 

"A análise inicial não é consistente com a reivindicação que o regime fez sobre um teste de bomba de hidrogénio bem-sucedido", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, durante uma conferência de imprensa.

 
O porta-voz, citado pela Agência Reuters, disse que a Casa Branca está a trabalhar para saber mais sobre o suposto teste, e que qualquer teste nuclear da Coreia do Norte é uma "violação provocatória e escandalosa" das medidas do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Também especialistas do Governo dos Estados Unidos, falando sob anonimato à imprensa americana, afirmaram não acreditar que o artefacto nuclear testado pela Coreia do Norte seja uma bomba de hidrogénio.

As fontes disseram que provavelmente iriam demorar alguns dias para determinar com mais precisão que tipo de artefacto Pyongyang detonou, à medida que diversos sensores, incluindo aeronaves, recolherem evidências.

As bombas H, ou "bomba de hidrogénio", do tipo que a Coreia do Norte afirma ter testado com sucesso, têm um poder infinitamente superior às bombas A, tais como as lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945.