O ex-Presidente do Brasil Lula da Silva está a ser alvo de uma investigação por alegado tráfico de influências. O Ministério Público do país abriu um procedimento preliminar – designado por “notícia de facto” – para investigar o alegado envolvimento de Lula no investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) no financiamento de obras da Obedrecht, no estrangeiro.

A procuradora da República Mirela Aguiar decidiu abrir esse procedimento preliminar, depois das denúncias divulgadas pela imprensa. Segundo a revista “Época”, Lula fez viagens até Cuba, Angola e República Dominicana, financiadas pela Odebrecht.

Para além disso, a mesma revista noticiou que a construtora, que também está envolvida na Operação Lava-Jato, recebeu financiamentos do BNDES no valor de 4,1 mil milhões de dólares (cerca de 3,7 mil milhões de euros) em países como o Gana, a República Dominicana, a Venezuela e Cuba.

O banco em causa, segundo a mesma publicação, aprovou um financiamento de 1,6 mil milhões de dólares (mais de 1,4 mil milhões de euros) para a Obedrecht logo depois de Lula, já na qualidade de ex-Presidente - visitar os presidentes do Gana e da República Dominicana.

Estes financiamentos foram concedidos enquanto Lula era presidente e também já na liderança de Dilma Rousseff. A empresa negou as acusações, em comunicado, sublinhando que a relação que mantém com Lula é normal e que o BNDES foi responsável por apenas 7% do financiamento que obteve para os seus projetos.

O Instituto Lula, por sua vez, publicou no seu site uma nota dando conta que a reportagem da revista “Época” não publicou todas as respostas do Instituto Lula e dos "demais citados".  Lê-se, nessa nota online, que “o ex-presidente faz apenas palestras, e não presta serviço de consultoria ou de qualquer outro tipo” e que “todas as viagens do ex-presidente foram divulgadas para a imprensa, mesmo sem ele ter nenhuma obrigação de fazê-lo, por não ocupar nenhum cargo público desde janeiro de 2011”. Daí que, sublinha o Instituto Lula, “não houve nenhuma viagem sigilosa.”