A Justiça espanhola emitiu, nesta sexta-feira, uma mandado de detenção europeu para Carles Puigdemont, presidente destituído do governo da Catalunha, e para quatro ex-ministros.

Puigdemont está na Bélgica desde a aprovação da declaração de independência e pretendia responder às acusações de rebelião, sedição, peculato, prevaricação e desobediência, através de videoconferência, pedido rejeitado pela juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional, que sublinhou que em nenhum momento deste pedido tinha sido revelado o seu paradeiro.

A magistrada defende que Puigdemont aproveitou-se da sua condição política para “levar a cabo um referendo independentista com vista a garantir a independência da Catalunha”“Para isso promoveram e utilizaram a força intimidatória e violenta dos setores independentistas da população, apelando à insurreição e desafiando a ordem constitucional.”

Além da ordem de detenção que foi já enviada ao Ministério Público belga, foi emitido um mandado de captura nacional e internacional, através da polícia e da Guardia Civil, para o caso de Puigdemont e dos ex-ministros Antoni Comín (Saúde), Clara Ponsatí (Educação), Meritxell Serret (Agricultura) e Lluís Puig (Cultura) deixarem a Bélgica.

Os cinco ex-membros da Generalitat deveriam ter comparecido perante a Audiência Nacional quinta e sexta-feira, o que não aconteceu.

A procuradoria belga tinha dito a Madrid que assim que recebesse um mandado de detenção executaria a ordem, no entanto, hoje, afirmaram que vão primeiro analisar a ordem antes de a entregarem a um juiz, segundo o procurador Eric van der Sypt, o que poderá acontecer "sábado ou domingo".

O líder da Generalitat foi destituído após a aprovação da declaração de independência da Catalunha, na passada sexta-feira. Desde então, encontra-se em Bruxelas, que lhe ofereceu asilo político, mas Puigdemont assegura não ser um fugitivo.

Nesta sexta-feira, em entrevista à estação pública belga RTBF, que será transmitida na íntegra depois das 20 horas, o presidente destituído admitiu a possibilidade de recandidatar-se ao cargo nas eleições de 21 de dezembro, mesmo estando no estrangeiro.