O inquérito do Ministério da Justiça dos EUA, promovido depois da morte, seguida de motins, de um jovem negro, abatido por um agente em Ferguson, no Estado do Missouri, salienta o racismo da polícia local, segundo a imprensa.

O relatório, que deve ser divulgado oficialmente na quarta-feira, indica que a polícia da cidade é culpada de violações regulares dos direitos constitucionais dos cidadãos, relatou a imprensa norte-americana, que revelou hoje as conclusões do inquérito, citando fontes próximas do inquérito.

Depois da morte em 09 de agosto último de Michael Brown, que suscitou manifestações e tumultos, o Ministério promoveu um inquérito distinto da investigação local, colocando-o no terreno dos direitos cívicos.

Seguindo o documento, a polícia de Ferguson, mas também a justiça da cidade, estavam envolvidas numa «rotina» de discriminação contra a população negra local, adiantaram a CNN e o Washington Post.

Desta forma, entre 2012 e 2014, apesar de os negros representarem 67% da população local, 85% das viaturas apreendidas pela polícia eram conduzidos por negros, 90% das pessoas convocadas para o tribunal eram negros e 93% dos detidos eram negros.

Em 88% dos casos em que foi usada a força estavam envolvidos negros.

O sistema judicial também não é poupado. De 2011 a 2013, os negros representam 95% das acusações por infrações de peões e 92% por perturbação da ordem pública, indicam os números revelados pelo Washington Post.

O documento divulga centenas de entrevistas e implicou a consulta de 35 mil páginas de relatórios policiais e outros documentos, adiantou este diário.

Em agosto, o polícia branco Darren Wilson matou Michael Brown, um jovem negro de 18 anos, que estava desarmado. Um grande júri tinha decidido em 24 de novembro não acusar o polícia.

Estes dois acontecimentos provocaram manifestações e motins nesta cidade, nos arredores de St. Louis, onde a maioria dos autarcas, incluindo a polícia, é branca, quando a maioria da população é negra.