O candidato da esquerda do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), Andrés Manuel López Obrador, venceu as eleições da Presidência do México com 53% dos votos, segundo os primeiros dados oficiais do Instituto Nacional Eleitoral (INE).

O antigo presidente da câmara da cidade do México chega à presidência depois de ter sido candidato às eleições de 2006 e 2012. À terceira foi mesmo de vez, depois de se apresentar como um candidato antissistema. Obrador, de 64 anos, vai substituir Enrique Peña Nieto.

No discurso de vitória, Obrador relembrou que vai combater a corrupção e reduzir a violência. Fala mesmo de "mudanças de fundo".

As mudanças serão profundas, mas ocorrerão de acordo com a ordem legal estabelecida. Haverá liberdade comercial, liberdade de expressão, de associação e de crenças. Em matéria económica, será respeitada a autonomia do Banco do México. O novo governo manterá disciplina financeira e fiscal e serão reconhecidos os compromissos contraídos com empresas e bancos nacionais e estrangeiros", garantiu.

 

À saída do seu gabinete, o futuro presidente já tinha dito "que a principal promessa é não permitir a corrupção nem a impunidade".

López Obrador aproveitou ainda a presença dos 'media' para agradecer aos seus adversários políticos que já reconheceram a sua eleição como Presidente do México, referindo-se a Ricardo Anaya, do Partido de Ação Nacional, José Antonio Meade, do Partido Revolucionário Institucional e o independente Jaime Rodríguez Calderón, "El Bronco".

O veterano da esquerda Andrés Manuel Lopez Obrador prometeu desde o início da campanha combater a corrupção e a pobreza para travar a violência no país.

Eu sou teimoso, é sabido”, admitiu. “É com esta convicção que vou agir como Presidente da República, teimosamente, com perseverança, com uma cegueira quase doida: vou acabar com a corrupção", garantiu Lopez Obrador, no dia em que o seu partido, Movimento Nacional de Regeneração (Morena), o nomeou para candidato às presidenciais.

López Obrador foi candidato às eleições presidenciais em 2006 e 2012. À terceira tentativa e com 64 anos, ‘AMLO’, como é vulgarmente tratado, conseguiu, enfim, vencer as eleições, tornando-se assim presidente da segunda maior economia da América Latina.

Nestas eleições foram chamadas às urnas cerca de 89 milhões de cidadãos para eleger o Presidente do país e outros 3.400 cargos públicos, entre eles governadores de oito estados e o chefe de Governo da capital do país.

Esta campanha eleitoral foi definida por vários especialistas como “a mais violenta” da história do país e, de acordo com o gabinete de estudos Etellekt, pelo menos 145 políticos ou ativistas envolvidos foram assassinados no México, incluindo 48 candidatos ou pré-candidatos.