O primeiro-ministro timorense e símbolo da luta de Timor-Leste pela independência, Xanana Gusmão, está envolvido num escândalo de corrupção. Em causa, um contrato de milhões de dólares, para fornecimento de arroz, ganho pela empresa em que a filha de Xanana é sócia maioritária.

De acordo com a rádio australiana ABC, a empresa de Zenilda Gusmão Prima Food ganhou, no ano passado, um concurso governamental, no valor de 3,5 milhões de dólares americanos (cerca de 2,5 milhões de euros. O acordo terá sido assinado pelo próprio Xanana Gusmão. Isto, apesar de a legislação timorense proibir agentes da administração e políticos de atribuir contratos a familiares directos.

Arsénio Bano, líder da Fretilin, o maior partido da oposição, já veio pedir a demissão de Xanana Gusmão. A rádio ABC diz que Xanana se tem mantido indisponível para comentar o caso, assim como a filha Zenilda. Já uma porta-voz do Governo timorense confirmou que Zenilda é, de facto sócia maioritária da Prima Food, mas garante que o executivo de Timor-Leste «tem sempre sido transparente nestes contratos».

Quem também se recusa a comentar o caso é o Presidente timorense, Ramos-Horta. «No nosso sistema, o Presidente não tem autoridade executiva. Não posso interferir diariamente no funcionamento normal do país», disse Ramos-Horta.