Os clientes da AirAsia mantêm a confiança na companhia aérea depois do desaparecimento do voo QZ8501, que fazia a ligação entre a cidade indonésia de Surabaia e Singapura com 162 pessoas a bordo.

Segundo Ruly Tambunan, supervisor da área de check-in da AirAsia no Aeroporto Internacional de Juanda, em Surabaia, os clientes da companhia aérea não estão a cancelar os voos desde segunda-feira, dia do desaparecimento do voo, apesar de alguns colocarem questões sobre o desenrolar da situação.

«Alguns perguntam: ‘Porque é que devemos ter medo? (…) Pelo que sabemos, as companhias aéreas garantem a segurança dos voos, por isso, não nos preocupamos, mas, se for a vontade de Deus ou algo, não podemos fazer nada'», disse.

Ruly Tambunan confessou ainda à Lusa que o dia de domingo «foi um pesadelo» e que a sua estratégia foi tentar «ser engraçado» com os clientes e familiares e amigos das vítimas do voo QZ8501 para descomprimir a tensão.

«O que é que eu posso fazer? Com medo ou sem medo, temos de fazê-lo», respondeu Azuain Zain, que não mudaria o voo de hoje na AirAsia para Kuala Lumpur, na Malásia, se tivesse essa oportunidade, porque acredita no destino traçado por Deus.

Também na zona do check-in da AirAsia no aeroporto internacional de Surabaia, Hernawan Wiratno confessou ter medo, antes de dar uma gargalhada e de se afirmar como cliente habitual da empresa.

«Eu acredito que a AirAsia é, de facto, segura, mas ontem houve este acidente», referiu.

Hernawan Wiratno comentou que a marca dos aviões tem pouco a ver com os acidentes, sendo a sua frase completada pela companheira de viagem, Ika Rohana, que apontou "razões imprevisíveis".

"Eu não vou voar com a AirAsia depois disto. Estou um pouco assustada", contou Cempaka Sietamo, enquanto aguardava por um voo da Garuda, a companhia aérea nacional da Indonésia que tem sido distinguida internacionalmente.

Contudo, numa altura em que ainda decorrem as buscas e não existe uma causa evidente para o desaparecimento do avião, o diretor executivo da AirAsia, Tony Fernandes, admitiu esperar «alguma reação» ao acidente nas vendas.

A aeronave descolou da principal cidade do leste de Java às 05:35 de segunda-feira (21:35 de domingo em Lisboa) e deveria aterrar em Singapura às 08:30 (00:30 em Lisboa).

O piloto pediu para desviar o plano de voo devido ao mau tempo, mas, depois disso, o contacto foi perdido, segundo a companhia.