Independentemente de todos e quaisquer feitos que tenha alcançado durante os seis anos em que esteve no poder, David Cameron será para sempre recordado como o primeiro-ministro britânico que afastou o Reino Unido da União Europeia. Ainda assim, deve recordar-se também que foi Cameron o líder político que prometeu levar o seu partido, o Partido Conservador, a aceitar a Europa como algo positivo quando este se mostrava cada vez mais eurocético e, afinal, a escolha pertencia à população.

Desta forma, e tendo sido o povo soberano na sua escolha, o Reino Unido abandonou a União Europeia. Muitos foram os que se manifestaram contra esta decisão mas a verdade é que o resultado do referendo foi favorável ao Brexit.

O povo seguiu outra estratégia e precisa de um novo primeiro-ministro que inicie a ativação do artigo 50º do Tratado de Lisboa”, comunicou Cameron num discurso frente à residência oficial aquando dos resultados do referendo.

Após o anúncio da demissão, David Cameron explicou que ia “aguentar o barco” até à próxima conferência do Partido Conservador, agendada para outubro.

Todas as vidas políticas terminam em fracasso”, foram das primeiras palavras de Cameron ao ter tomado conhecimento dos resultados do referendo, segundo o seu biógrafo, Anthony Seldon. Esta é uma citação de Enoch Powell, político conservador, retirada do seu discurso nos anos 60.

Ainda que muitos dos aliados e apoiantes mais próximos de Cameron, incluindo George Osborne, o ministro das Finanças, tivessem apelado para que se mantivesse no poder em caso de vitória do Brexit, o chefe do Governo tinha já decidido que iria demitir-se, caso os resultados fossem favoráveis à saída do Reino Unido da União Europeia.

Eu vou ter que ir, não quero liderar um governo de cujas políticas discordo”, disse Cameron a Matthew Hancock, ministro do Gabinete do Primeiro-Ministro e Tesoureiro-mor, segundo o excerto da biografia de Cameron publicado no The Times.

Oliver Letwin, assessor do primeiro-ministro britânico, tê-lo-ia aconselhado a manter-se no cargo por uma questão de equilíbrio e de estabilidade política. Osborne, por sua vez, acreditava que Cameron devia fazê-lo apenas se estivesse preparado para lutar.

Ainda assim, à medida que os resultados foram sendo anunciados e mostravam a tendência para a saída do Reino Unido da União Europeia, Cameron tornou clara a sua intenção de resignar ao poder.