A campanha de Jeb Bush - filho e irmão dos ex-presidentes dos EUA George H. W. Bush e George W. Bush, respetivamente – estava já numa rota de desespero, depois de três debates televisivos em que o republicano desiludiu. E isso sentiu-se no apoio dos eleitores e nas suas contribuições financeiras. Mas ao quarto debate, na terça-feira à noite, o ex-governador da Flórida mostrou finalmente firmeza.

As eleições norte-americanas serão apenas daqui a um ano, a 8 de novembro de 2016, mas antes as forças políticas terão de escolher os seus candidatos, pelo que as primárias já aquecem. Entre os republicanos, há 15 aspirantes.

Já foi feito um primeiro debate com aqueles que têm resultados mais baixos nas sondagens. Ontem foi a vez de juntar os oito melhores. Num espetáculo televisivo à americana, no teatro Milwaukee.

Além dos dois candidatos do chamado establishment, Jeb Bush e Marco Rubio, e os dois candidatos insurgentes, Bem Carson e Donald Trump, estavam no palco a empresária Carly Fiorina, o senador do Texas Ted Cruz, o governador de Ohio, John Kasich, e o senador de Kentucky, Rand Paul.

Bush conseguiu contrariar os desaires anteriores com este seu último desempenho, que lhe permitir, pelo menos, ganhar tempo para tentar combater a ascensão do principal rival, Marco Rubio.


Estado Islâmico no centro das atenções


Duas horas depois, quem acabou mesmo por sair mais aliviado foi Bush que, desta vez, evitou atacar os seus rivais, já que as anteriores tentativas fracassaram. Mas de qualquer modo não se deixou ficar.

A política externa foi o tema que mais dividiu os oito republicanos e aqueceu o debate, mostrando que o consenso sobre esta matéria está longe dentro do próprio partido.

Bush advertiu que o terrorismo do Estado Islâmico “é a maior ameaça”, para os Estados Unidos, defendeu a criação de uma zona de exclusão aérea na Síria, para com isso evitar que os aviões russos sobrevoem o país.

Donald Trump contestou, dizendo que, por ele, estará tudo bem se o presidente russo Vladimir Putin quiser “combater o inferno fora do Estado Islâmico” na Síria e no Iraque.

Jeb Bush e Donald Trump (Foto: Reuters)


Nesse momento, o empresário bilionário que esteve durante meses à frente nas sondagens, abriu uma brecha para Bush mostrar ao que vem e chamá-lo à terra:

"Nós não vamos ser os polícias do mundo [mas] pensar que é uma boa ideia Putin estar na Síria... Isso é como um jogo de tabuleiro, é como jogar ao Monopólio, não é como funciona o mundo real"  


Não foi o único a criticar Trump.  Carly Fiorine, que foi a primeira mulher a liderar uma empresa Fortune 50, quando foi nomeada CEO da HP, em 1999, é outra das candidatas que, estando entre aqueles que pedem uma política externa mais agressiva (quer com militares, quer com repreensões diplomáticas), considerou Trump ingénuo sobre o perigo que Putin representa e que os EUA não deveriam falar com ele no imediato, porque não se deve negociar a partir de uma posição de fraqueza.

Já o senador independente pelo Kentucky Rand Paul opôs-se, considerando "particularmente ingénuo" sim pensar-se que não tem de haver diálogo entre Washington e Moscovo.

"Se querem uma zona livre de voos no Iraque estejam prontos para derrubar aviões russos, para enviar os vossos filhos para ali e iniciar outra guerra"


Marco Rubio, por seu turno, recebeu forte apoio da plateia quando disse que é preciso proteger a segurança nacional, uma promessa que os outros candidatos também abraçaram. Mas ele quer aumentar substancialmente os gastos militares.

Ao mesmo tempo, criticou Putin por se entender como a única força geopolítica e por estar a aproveitar-se da fraqueza dos Estados Unidos no Médio Oriente.

Rand Paul entrou em choque com Rubio, defendendo os seus pontos de vista não intervencionistas, que Rubio classificou de isolacionismo comprometido.
 

Refugiados, outro tema quente


A "The Economist" refere-se a esta parte do debate como o confronto “mais apaixonado” da noite. Trump, que foi o primeiro dos oito a falar, insistiu na sua ideia de construir um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México (uma obra que deveria ser o governo mexicano a pagar). "Teremos um muro. O muro será construído. O muro será bem sucedido”.

Tanto Kasich como Bush rapidamente quiseram afastar essa hipótese e também fizeram questão de dizer que a deportação de mais de 11 milhões de imigrantes indocumentados, outra das propostas de imigração de Trump, é impossível.

Kasich e Bush são os dois a favor de uma revisão das políticas de imigração e de um caminho para a cidadania para desses imigrantes ilegais.

O quarto debate entre os republicanos (Foto: Reuters)


Este é um momento crítico na corrida para a eleição republicana, com o neurocirurgião reformado Ben Carson e Donald Trump a lutarem para manter a sua posição de liderança nas sondagens.

O ex-presidente do partido Republicano em New Hampshire Fergus Cullen aprovou o desempenho de Bush, “muito melhor”:
 
Porém, há quem não deposite tanta confiança na sua candidatura. Marco Rubio teve grande impulso na sua candidatura com o terceiro debate e a tarefa, ontem, era de igualar essa excelência. Não se saiu mal e tem o carisma da renovação geracional que o partido pode estar a precisar. Tem 44 ​​anos e Bush 62. Consideram-se os principais rivais. O próximo debate será a 15 de dezembro, em Las Vegas.