A fotografia tornou-se viral e símbolo de todas as vítimas da guerra: uma criança síria «rende-se» perante um fotógrafo quando confunde a câmara fotográfica com uma arma. Com milhares de partilhas nas redes sociais, ficou conhecida como a «imagem mais triste do dia».

Foi através da fotógrafa Nadia Abu Shaban, que partilhou originalmente a imagem a 24 de março, que o mundo ficou a conhecer o rosto desta criança. Nadia sublinhou, no entanto, que não era a autora da fotografia e que desconhecia quer a autoria quer o contexto da mesma.

 
Agora, a história por trás do momento foi finalmente revelada. Trata-se de uma fotografia de Osman Sağırlı, fotógrafo turco, que foi pela primeira vez publicada em dezembro do ano passado.

O fotógrafo, que agora trabalha na Tanzânia, contou, em declarações à BBC, que a criança é uma menina chamada Hudea e que, na altura, tinha apenas 4 anos. O momento foi registado no campo de refugiados de Atmeh, na Síria, perto da fronteira com a Turquia.

Sağırlı explicou que a menina tinha chegado ao campo com a mãe e dois irmãos. Estavam a 150 quilómetros de casa, na cidade de Hama.

«Estava a usar uma teleobjetiva e ela achou que era uma arma. Percebi que ela estava assustada depois de ter tirado a fotografia e de ter visto que na imagem mordia os lábios e levantava as mãos. Normalmente as crianças correm, escondem a cara, ou sorriem quando veem uma câmara.»


Para Sağırlı os retratos de crianças em campos de refugiados são verdadeiramente reveladores.

«Sabes que aquelas pessoas estão deslocadas. Faz mais sentido perceber o que elas sofrem através das crianças, do que através do adultos. São as crianças que refletem as emoções com a sua inocência.»


O fotográfo turco afirmou ainda que a imagem foi publicada pela primeira vez no jornal «Turkie» em janeiro, publicação para a qual o fotógrafo trabalhou durante 25 anos, cobrindo conflitos e desastres ambientais no estrangeiro.

Na altura foi amplamente partilhada pelos utilizadores das redes sociais na Turquia. Mas foram preciso alguns meses para se tornar viral nos países anglo-saxónicos e, consequentemente, no resto do mundo.