O candidato presidencial Henrique Neto, empresário e militante socialista, afirmou esta segunda-feira que os seus concorrentes Marcelo Rebelo de Sousa, pela direita, e Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa, conotados com o PS, são todos da "coligação política-negócios", ao comentar um "curto estudo" económico sobre desperdício da riqueza nacional ao longo dos últimos 20 anos, em Lisboa.

"Pode acontecer que seja novamente um agente ao serviço da continuidade da coligação da política com os negócios que venha a ocupar o cargo de Presidente da República, por mais que alguns candidatos o tentem disfarçar".


Instado a especificar, o candidato citou o comentador e ex-líder do PSD Rebelo de Sousa, a ex-presidente do PS e antiga ministra da Saúde e o antigo reitor da Universidade de Lisboa, acrescentando que os cartazes dos dois últimos até ocupam agora os locais onde antes estava a cara do primeiro-ministro e secretário-geral socialista, António Costa.

"Se os portugueses quiserem que alguma coisa de substancial mude na política nacional, então alguma coisa de substancial terá de mudar na atitude política dos portugueses. A escolha do próximo Presidente da República é o próximo teste ao desejo real dos portugueses quanto a uma mudança política séria em Portugal", afirmou, citado pela Lusa.

Henrique Neto criticara "o colapso de bancos como o BPN, BPP e BES", "as vendas de empresas públicas", "as contrapartidas perdidas nas aquisições militares", "as obras públicas, incluindo as ruinosas Parcerias Público-Privadas [PPP]", num "rol de esbanjamento que dificilmente teria ocorrido se não tivesse permitido o enriquecimento de pessoas ligadas ao sistema político".

"Por outro lado, por omissão e por comodismo, os portugueses também têm uma quota-parte de responsabilidade nesta situação, pois aproveitaram tudo sem se questionar sobre o futuro e sem questionar os políticos", continuou o também ex-deputado do PS.

Segundo o documento apresentado por outro antigo parlamentar socialista, Joaquim Ventura Leite, Portugal terá desperdiçado entre 150 a 200 mil milhões de euros de 1995 a 2014, por "roubo, fraude ou má aplicação de recursos", um valor equivalente a perto de 100 fábricas da Autoeuropa ou a cerca de 350 grandes hospitais.

"Não era possível, só com políticos medíocres, esta trajetória. Alguém teve de intervir com interesses, ou seja, os políticos estiveram envolvidos em negócios. Isto foi produto de uma coligação muito própria entre [o universo da] política [e o mundo dos] negócios", concluiu Ventura Leite.