Muitos dos casos mediáticos conhecidos de violência entre alunos e de violência alunos-professores (ambos designados de «bullying») têm como parceiro escondido o «mobbing», dito por outras palavras: pressão, coacção e intimidação de professor para professor ou da direcção de uma escola contra um professor.

Paulo Guinote, autor do blogue «A Educação do Meu Umbigo», deu conhecimento ao tvi24.pt do caso concreto de uma professora, que pede para manter o anonimato, que lhe fez chegar através de e-mail o testemunho pessoal de «coacção psicológica» por parte da Direcção da escola em que lecciona.

A professora em causa queixa-se de ter sido «ludibriada» quanto ao horário e matérias a leccionar, perfeitamente razoáveis numa primeira fase em que lhe foram apresentados, mas que na prática e numa fase posterior, não respeitavam as mais elementares disposições legais no que respeita à jornada diária de trabalho e aos intervalos de descanso.

«Para além disso, atribuíram-me uma imensidade de níveis de matérias, às quais, humanamente, era impossível dar resposta: cinco níveis distintos, co-secretariado de três Conselhos de Turma, apoio a alunos com dificuldades específicas», pode ler-se no texto. «Trabalhava todos os fins-de-semana para poder dar cumprimento ao «incumprível», acrescenta.

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A mesma professora conta que «não aguentou». «A gota de água foi ter sido posta em causa numa reunião, por uma colega, neste caso Directora de Turma, no sentido de não ter dado cumprimento, num prazo determinado, a uma planificação específica. Como poderia?», pergunta.

«Vim para casa, completamente esgotada, em pânico. Desanimada porque, malevolamente, estavam a fazer passar a imagem de uma pessoa não cumpridora, quando sempre o tentei ser, ao longo de 18 anos de ensino, com resultados comprovados. Senti que me estavam a dar excesso de trabalho, precisamente para demonstrarem que era incapaz», revela.

A mesma professora conta que esteve 15 dias de baixa. Durante esse tempo, consultou um Sindicato, que confirmou as irregularidades horárias e a aconselhou a enviar uma exposição escrita ao director da escola.

«Não tive direito de resposta! Ignoraram-me, simplesmente. E o meu estado de saúde entrou em colapso. Foi-me diagnosticado stress pós-traumático e esgotamento. Mantive a minha baixa, aguardando a cada dia, uma resposta na minha caixa de correio. Foi como que um jogo de forças psicológico», desabafa.

Perante isto, a professora recorreu a um advogado que voltou a colocar a situação, por escrito, ao director. E foi só nessa altura que o director deu sinal de vida, numa resposta que a professora descreve como «lacónica e que não respondeu, na sua maioria, às questões colocadas».

«Neste momento, estou em suspenso mas não tenho medo! Estou "condenada" a não trabalhar, a usar uma espécie de pulseira electrónica durante a maior parte da semana, dado que tenho de ficar em casa, para possível inspecção médica», desabafa.

A professora refere que a queixa está feita às entidades competentes e sublinha: «não abdicarei nunca dos meus valores». «Mais, sinto que não é só por mim que o faço mas pelos inúmeros colegas docentes que sofrem em silêncio e não denunciam por medo de represálias», conclui.