O secretário-geral do PCP disse, nesta terça-feira, que as negociações com o Governo sobre o Orçamento do Estado para 2018 (OE2018) estão “a decorrer normalmente” e que o seu partido não leva “pedras no sapato” para as reuniões.

No quadro do calendário existente, creio que não há atraso” e trata-se de “um processo que está a decorrer normalmente”, afirmou o líder do PCP, em declarações aos jornalistas, à margem de um almoço em Elvas (Portalegre), com os candidatos autárquicos da CDU neste concelho.

Questionado pelos jornalistas sobre as negociações com o Governo sobre o OE2018, o secretário-geral comunista revelou que “se iniciaram as reuniões” e que estas vão “continuar até à apresentação da proposta, depois da apresentação da proposta e mesmo após a própria votação na generalidade”.

Segundo Jerónimo de Sousa, no âmbito deste processo, o que importa saber é se “o Governo minoritário do PS está disponível para alcançar o máximo de convergência” em torno do objetivo de prosseguir no país com o “caminho de reposição, de defesa e de conquista de direitos e de rendimentos”.

Portanto, não vamos para ali com pedras no sapato, não vamos para ali armados em campeões, mas a certeza vai ser esta: é que o PCP, nesse exame comum que está a ser feito, tudo fará para manter esta linha estratégica de conseguir uma melhoria no plano económico, no plano social, no plano de afirmação da nossa própria soberania, incluindo da nossa soberania orçamental.”

Essa, “possivelmente, não vai ser uma matéria fácil”, admitiu, mas é com “esta visão construtiva” que o PCP encara as negociações do OE2018 e deseja “que o Governo acompanhe este grande objetivo”.

O líder do PCP defendeu que, apesar de o seu partido ainda não conhecer qualquer proposta do OE2018, este não é o momento “para parar ou voltar para trás” nas políticas que têm sido seguidas.

O que é preciso, continuou, é que, “nas políticas orçamentais, se defina este grande objetivo, tendo em conta que se demonstrou” que o desenvolvimento económico do país faz-se “com a reposição de salários, rendimentos e direitos”, pondo fim “aos cortes que atazanaram a cabeça aos portugueses durante anos”.

Para o PCP, frisou, é possível “continuar este caminho, seja em termos da valorização geral dos salários, seja em relação a uma outra política fiscal, em que se atenda àqueles que são mais injustiçados”, designadamente através do “aumento do número de escalões” do IRS.

E, argumentou Jerónimo de Sousa, é bom que o Governo do PS tenha noção de que o seu “atual prestígio não foi por mérito próprio”, mas sim “por ter respondido a alguns anseios mais urgentes dos trabalhadores e do povo”.