A primeira deslocação ao estrangeiro do novo primeiro-ministro está a gerar polémica. Tudo porque anterior e atual governos apresentam versões contraditórias sobre a impossibilidade de António Costa discursar na Cimeira do Clima que decorre em Paris, que não terá sido inscrito a tempo.

O primeiro-ministro desvalorizou, dizendo tratar-se de um "incidente burocrático".
 
O novo ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, que acompanha o chefe do Governo no COP21, confirmou em Paris que “o primeiro-ministro não estava inscrito” para discursar, ao contrário dos restantes cerca de 150 líderes mundiais, mas não querendo “alimentar a polémica” sobre o responsável pela não inscrição.
 
Fonte do Governo disse, porém, à TVI, que António Costa só soube na véspera da cimeira que não podia discursar e quando já se encontrava em Paris.
   
Outra opinião tem o antigo titular da pasta do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, que garantiu que a possibilidade de o novo primeiro-ministro discursar em Paris estava assegurada, se assim o entendesse.
 
"Conseguimos assegurar [junto das Nações Unidas] o essencial: o novo primeiro-ministro, caso fosse essa a sua intenção, poderia inscrever-se para discursar" na sessão de abertura da conferência sobre clima, esclareceu o ex-ministro, adiantando que ele mesmo informou João Matos Fernandes “na manhã de quinta-feira, antes da posse, que toda a preparação da COP21 estava realizada". 

Em declarações aos jornalistas, António Costa desvalorizou não ter conseguido discursar em Paris. “É um incidente burocrático que às vezes acontece nas transições de governo. Não valorizo nada", afirmou.
 


A melhor estratégia para Costa


Mais de 150 chefes de Estado e de Governo estão em Paris para participar na COP 21 que reúne representantes de 195 países para tentarem chegar a acordo no sentido da redução das emissões de gases com efeito de estufa, responsáveis pelas alterações climáticas.

António Costa defendeu, em declarações aos jornalistas, que a "reabilitação urbana e transporte urbano" são devem ser as prioridades para a estratégia sobre o clima. 

"A eficiência energética por via da reabilitação urbana e de uma outra mobilidade urbana são a chave para salvarmos o planeta nestas alterações climáticas. Esta conferência da COP21 é fundamental para o mundo, mas está nas mãos das presidentes de Câmara e dos Presidentes de Câmara salvar o nosso planeta das alterações climáticas e é fundamental ao nível da Europa e dos Estados fazer uma grande aliança com as cidades para que seja possível salvar o planeta e travar este processo das alterações climáticas", justificou.

"Portugal quer estar na vanguarda da alteração do paradigma energético, é hoje um país que tem uma intensidade de energias renováveis muito superior àquilo que é a média da União Europeia"


Costa sublinhou que o novo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, vai "manter Portugal nessa boa linha: reabilitação urbana, transporte urbano" e disse não ter "a menor das dúvidas que o doutor Moreira da Silva [o anterior ministro] fez um excelente trabalho na preparação da COP".

O primeiro-ministro falou aos jornalistas no Hôtel de Ville de Paris, onde foi recebido pela Presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo.

"Aproveitei a esta vinda à COP21 para transmitir à presidente da Câmara de Paris as minhas condolências às parisienses e parisienses por este ato bárbaro a que todos podemos assistir que atingiu não só Paris como toda a Europa, todo o mundo livre e portugueses também que faleceram neste atentado", declarou.

Por sua vez, Anne Hidalgo disse que a eleição de António Costa foi "uma das melhores notícias" que recebeu "nas últimas semanas", salientando estar "com ele de todo o coração e com o povo português", agradecendo ainda o apoio "nos primeiros minutos" após os atentados de 13 de novembro.

Depois, António Costa foi prestar homenagem às vítimas dos ataques, junto à sala de concertos Bataclan, onde deixou um ramo de flores, na companhia de Hermano Sanches Ruivo, vereador dos assuntos europeus em Paris.

António Costa a prestar tributo às vítimas dos atentados de Paris (Fonte: Reuters)