Meio mundo ficou à beira de um ataque de nervos com o míssil norte-coreano sobre o Japão, o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se de emergência, mas Kim Jong-un não está nem aí para as ameaças, concentrado que está nas suas.

Disso mesmo deu conta na terça-feira, ao afirmar que o míssil sobre o Japão foi um ensaio para voos maiores, que é como quem diz Guam, onde está a base militar dos Estados Unidos no Pacífico.

O disparo do míssil, que em muito pareceu um cenário real de guerra, é o primeiro passo nas nossas operações militares no Pacífico e um prelúdio significativo para chegar ao território norte-americano de Guam. Temos de realizar mais testes assim de modo a podermos desenvolver estratégias militares mais práticas”, ameaçou o líder de Pyongyang, citado pela agência de notícias da Coreia do Norte, KCNA, nesta quarta-feira.

Pela primeira vez desde 2009, um teste balístico norte-coreano sobrevoou o Japão e a data escolhida não poderia ter sido mais intencional.

Foi uma operação ousada, que surpreendeu os ilhéus japoneses num 29 de agosto sangrento, como foi há 107 anos, aquando do anúncio do humilhante tratado de anexação da Coreia, em 1910”, lembrou, referindo-se ao poder colonial do Japão que reinou sobre a Coreia até 15 de agosto de 1945.

Kim Jong-un sublinhou, no entanto, que “este teste não teve qualquer impacto na segurança dos países vizinhos”.

O míssil percorreu 2.700 quilómetros antes de cair a leste da ilha de Hokkaido em águas do Pacífico.

Tratou-se do 13.º lançamento de um míssil balístico pela Coreia do Norte desde o início do ano, segundo dados de Seul.

No passado domingo, dia 27, Pyongyang também lançou três mísseis de curto alcance para águas do mar do Japão, quando milhares de soldados norte-americanos e sul-coreanos participavam em manobras militares conjuntas na península.

"Os Estados Unidos responderam com um exercício militar conjunto ao nosso aviso de que estamos atentos. Este teste é apenas o início das contramedidas do nosso país. Como já dissemos, estamos atentos aos Estados Unidos e decidimos a nossa próxima ação de acordo com isso", indicou ainda a KCNA, apontando o último relatório militar de Pyongyang.