“Todas as campanhas têm o seu picante” e esta não é exceção. Mesmo que hoje não seja um dia “muito picante”, como deixou escapar esta terça-feira o candidato da coligação Portugal à Frente, numa visita à empresa Maçarico em Mira.

A trabalhadora que embalava o produto da marca garantia que este “pica a sério, é malagueta verdadeira”, mas Passos Coelho pensava noutra coisa: e não seria a notícia do BPN a pô-lo a arder.
 
Afinal, garante, não houve qualquer “ocultação” de prejuízos do BPN, mas uma reavaliação da estimativa feita, ainda pela então secretária de Estado Maria Luís Albuquerque.

“Eu teria feito o mesmo, a previsão era demasiado pessimista”, disse aos jornalistas que o interrogavam sobre a notícia avançada esta manhã pela Antena 1.

Mas o candidato garante que “é natural e normal” que em campanha surjam “coisas eventualmente incómodas nomeadamente para o Governo” para perturbar a coligação. “De onde?”, perguntaram. “Não faço processos de intenções”, respondeu, insinuando ainda assim que as notícias “incómodas” costumam aparecer na reta final, já perto das eleições.
 
Já na visita à fabrica de azeitonas, um jornalista lhe tinha perguntado se “hoje era um dia picante”, já que a notícia passava na rádio pública desde cedo – e o primeiro-ministro sabia que dali a nada teria um batalhão de jornalistas com perguntas sobre o tema: “Hoje não, não é”.

E ainda antes de falar com os media, foi dar um salto à praia de Mira, onde passava a infância e recordou o episódio das birras por causa do avião.

“Tanto pedi um avião que o meu pai lá me deu um de plástico: eu queria um a sério, claro” e “ao fim de meia hora já tinha desmanchado aquela droga e ninguém o conseguia pôr a voar outra vez”.

Um episódio que Passos conta com uma moral: “Com a idade fui aprendendo a habilidade de reconstruir”, diz, enquanto Paulo Portas faz sucesso entre as banhistas.

Apesar da água fria, ainda há veraneantes outonais na praia de Mira: está sol e calor e alguns levantam-se para vir cumprimentar os candidatos da coligação. E uma senhora tem um pedido: “Dê-me o seu chapéu!”. O vice-primeiro-ministro perante tal pedido, não hesita: "Dou sim, no final da campanha, dou-lhe o meu chapéu".
  Portas tem vários – e é conhecido por ir mudando de chapéu consoante o espaço a visitar, mas nesta campanha o chapéu parece dar sorte e o líder do CDS tem usado quase sempre o mesmo, apesar de andar prevenido com alternativas.

Pois agora, depois da campanha, este, de aba, vai ter novo dono. "Dê-me o seu telemóvel para mandar entregar o chapéu".
 

Campanha estilo empresarial ou agrícola


Passos e Portas tem apostado na campanha do estilo empresarial, fabril ou agrícola: vão batendo empresas de diferentes distritos, todas de sucesso, e hoje em Coimbra o registo é o mesmo, sem contacto com a população na rua; isso fica para amanhã, em Viseu.

De Cantanhede, chegam a Tábua, ao grupo Aquinos, com 1800 trabalhadores. Em Nelas, abriram agora outra fábrica com mais 300 trabalhadores.

A empresa, que faz sofás e colchões, tem 90 por cento da produção destinada ao Ikea. O mais provável, quando compra um sofá na loja sueca, é que ele tenha sido produzido em Tábua, por trabalhadores portugueses e por uma gestão nacional que começou com apenas seis trabalhadores.  
Depois de uma volta por outras fábricas do grupo na mesma zona industrial – bem avisaram que havia muito para andar –, a comitiva segue rápida para uma empresa. Agora de pastéis. Há de bacalhau e massa tenra, rissóis de carne e camarão, e chamuças, feitas na fábrica, e servidas no refeitório para uma pequena pausa, até novo trajeto, agora para o jantar comício em Coimbra, em que o primeiro-ministro conta com a participação de Marques Mendes e Lobo Xavier.