O CDS-PP já o tinha feito, no debate quinzenal desta sexta-feira de manhã, pela voz de Nuno Magalhães, mas o vice-primeiro-ministro e líder dos centristas veio reforçar a confiança que tem em Passos Coelho. Paulo Portas quis mostrar que está ao lado do primeiro-ministro, a propósito da  alegada atribuição de remunerações da empresa Tecnoforma, enquanto era deputado em regime de exclusividade.

«Nós confiamos na palavra do primeiro-ministro», assegurou Portas, durante uma  visita a uma empresa de carnes e laticínios, em Angra do Heroísmo, nos Açores, quando questionado sobre o assunto.

Alegou, assim, que tinha apenas a dizer «a mesma coisa que o líder parlamentar do CDS já disse nos últimos dias».

Ora o líder parlamentar dos centristas, Nuno Magalhães, leu esta manhã, no debate quinzenal que decorreu na Assembleia da República, uma declaração que dizia: «O CDS manteve a serenidade, e disse que confiava na sua palavra. Pelo que nos disse aqui hoje, a sua palavra merecia ser ouvida e a nossa opção estava certa».

Esta foi, de resto, a única declaração do CDS-PP sobre as respostas dadas hoje pelo primeiro-ministro no Parlamento, às questões envolvendo o seu estatuto e remunerações enquanto foi deputado na década de 1990.

Entretanto, para além do vice-primeiro-ministro, também o ministro da Defesa Nacional veio comentar as declarações de Passos Coelho, defendendo que o chefe de Governo prestou todos os esclarecimentos sobre o caso Tecnoforma, de forma «perentória e sem equivocos». 

«Prestou todos os esclarecimentos e disse, claramente, todos ouvimos hoje, que não recebeu remunerações que tivessem de ser declaradas. Disse-o de uma forma perentória, afirmativa e sem equivocos»,  frisou, citado pela Lusa.

«No que diz respeito à questão do levantamento do sigilo, Passos Coelho disse sempre que estava à disponibilidade da Procuradoria-Geral da República caso fosse necessário e, como é óbvio, esta não é matéria que fica à disponibilidade do secretário-geral do PS, sobretudo para questões de oportunidade política, que visam tudo menos realmente fazer o apuramento da verdade», sublinhou Aguiar Branco.

O governante vincou, ainda, que Pedro Passos Coelho não é «um político que tenha enriquecido misteriosamente». «Toda a gente conhece o seu passado e presente e, portanto, é facilmente reconhecido pelos portugueses como alguém que efetivamente é um exemplo nessa matéria».

A denúncia contra Passos Coelho prescreveu há sete anos e foi arquivada pela Procuradoria-geral da República. A PGR concluiu que os livros de contabilidade da Tecnoforma não continham elementos com relevância criminal e a investigação não prosseguiu para as movimentações financeiras e cruzamento de contas bancárias porque o eventual crime em causa prescreveu. O primeiro-ministro afirmou, esta sexta-feira, no debate quinzenal, que «nunca» enquanto foi deputado recebeu «qualquer valor da empresa Tecnoforma».