Algo vai diferente no reino da Dinamarca. Os votos desta quinta-feira confirmaram as sondagens: o país mudou da esquerda para a direita. Por uma diferença curta, mas suficiente para consolidar a maioria absoluta parlamentar.

Num sistema político no qual os partidos formam dois blocos, o de esquerda e o de direita, dos 179 lugares do Parlamento de Copenhaga, a direita passou a ocupar 90 assentos, contra 85 da esquerda.

Uma derrota para Hellen Thoring-Schmidt, a social-democrata que nos últimos quatro anos liderou o executivo dinamarquês e que há cerca de três meses convocou estas legislativas antecipadas, na sequência da saída do Governo do partido socialista, parceiro de coligação.

Nem os escândalos com despesas pessoais com dinheiro do Estado impediram que Lars Rasmussen do partido liberal Venstre volte a governar a Dinamarca como fez entre 2009 e 2011, no entanto - e aqui as sondagens foram ultrapassadas pela urna de voto - a chefia do novo executivo será para kristian Dahl do Partido Popular Dinamarquês, nacionalista e anti-imigração. Conquista feita numa votação dominada justamente pela imigração, em particular pelos avultados benefícios sociais dados aos imigrantes e até refugiados.

Num país com uma população de cinco milhões e meio de habitantes, 10 por cento, destes, estrangeiros, a imigração tornou-se no elefante no meio da sala, sobretudo, depois dos atentados terroristas de 14 e 15 de fevereiro da autoria de um dinamarquês filho de palestinianos e nos quais morreram duas pessoas.

O terror e o alegado aproveitamento de estrangeiros sobre o estado social do reino nórdico acabaram por ter mais peso que o anúncio de Hellen Thoring-Schimdt, feito semanas antes de convocar eleições, de que a crise chegara ao fim, depois de anos de austeridade para fixar o défice em 3 por cento, como exige Bruxelas. 

Os dinamarqueses escolheram ter a direita no poder, porque esta lhes garante um país mais fechado a quem lhes bate à porta.