"Saibamos honrar a memória e a visão dos fundadores através da construção dessa CPLP do futuro" declarou o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, na passada quarta-feira. Numa cerimónia que contou com a participação de vários deputados e embaixadores, assim com a do Ministro dos Negócios Estrangeiros, a Assembleia da República assinalou o vigésimo aniversário da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa.

Fundada em 1996 por 7 países, a CPLP é hoje uma organização inter-governamental que conta com 9 estados-membros e 6 observadores associados, cujo propósito basilar assenta no "aprofundamento da amizade mútua e da cooperação". Uma cooperação que se estreitou em muitos domínios nas últimas duas décadas, através da criação de organismos internos e de protocolos que ambicionam o estreitamento dos laços entre os vários estados que mantém o português como sua língua oficial.

Todavia, esta efeméride parece ter interessado pouco à comunicação social portuguesa, que não lhe concedeu destaque noticioso. Mesmo com a visita de António Costa a Macau e a sua participação no Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa, o aniversário da criação da organização internacional promotora da lusofonia não conseguiu captar a atenção dos jornalistas portugueses. 

Apesar de não ser imune de polémicas, a mais famosa das quais referente à adesão da Guiné-Equatorial em 2014, a CPLP é um tema relativamente consensual na sociedade portuguesa e no panorama político português, no qual a sua importância e potencial é um ponto tradicional de destaque em todos os programas políticos dos partidos com assento parlamentar. Este destaque, contudo, não se estendeu à comunicação social, talvez por não ser um tema tão conflituoso como outros que acabaram por dominar a semana.

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.