Depois da segunda reunião com Passos Coelho, desta vez na sede do PS, António Costa atirou em várias direções contra a postura da coligação que "não percebeu que há um novo quadro parlamentar" resultante das eleições legislativas. O líder socialista não usou meias palavras para classificar as propostas da PáF: "Têm lacunas graves". Já Passos Coelho disse que não percebe o que é que o Partido Socialista quer

Daí o Partido Socialista ter transmitido "insatisfação" em relação ao documento:

"[Demos] mais de 17 ou 18 exemplos de lacunas graves que o documento enferma, quer de natureza geral - seriedade que politica de emprego e combate a precariedade tem de ter, nem políticas concretas indispensáveis para inverter trajetéria de empobrecimento"


Para Costa e a sua comitiva, as propostas do PSD e CDS-PP não traduzem um "esforço suficiente", nem revelam "a compreensão por parte da coligação do novo quadro parlamentar".

O líder do PS disse que "esmiuçou" o documento e assinalou asdivergências de fundo que existem, mas "para que não haja dúvidas e fique tudo claro", deixará "registada por escrito a apreciação" sobre esse documento, rejeitando, ainda assim, que não tenha apresentado contraproposta, porque enunciou vários exemplos de incompatibilidade.

De qualquer modo, com tudo preto no branco, " a coligação terá mais uma oportunidade". Com isso, Costa lançou um repto, mais do que um conselho: terá oportunidade "de poder ponderar se efetivamente está em condições de poder criar melhores condições de governabilidade do que aquelas que dispõe". 

O secretário-geral socialista deu alguns exemplos concretos das falhas que encontrou no documento: a redução da pobreza infantil, as taxas moderadoras os escalões de IRS, a reposição dos salarios dos funco, o IVA restauração, "tantas e tantas medidas, absolutamente indispensaveis para poderem traduzir a nova orientação" de política que, em vários casos, não encontraram "qualquer tipo de eco" nas propostas da coligação. 

Costa ainda apontou mais insuficiências: "A ausência de fornecimento por parte do governo e da coligação de informação indispensável ao suporte financeiro das medidas que apresentaram para avaliar a consistência da credibilidade" das mesmas. 

"Não podemos fazer mais do que auquilo que temos feito. Não podemos olhar para as medidas do PS como se fossem bolas de natal que vão enfeitar a árvore que é o programa da coligação. Esse não é o nosso papel"


O líder do segundo maior partido votado nas eleições defende que é a coligação que tem de ver o que é compatível ou não entre as suas propostas e as do PS, reorientando-as. "Quem votou no PS não votou para que PS viabilize politicas da coligação. Quem tirou a maioria à coligação, não deseja que a coligação continue" com as suas políticas.
 
"Percebo que há um jogo que a coligação quer fazer, que é fazer crer de que nada aconteceu, que havia maioria, essa maioria continua, havia governo, esse governo continua". Com esta ironia, António Costa sinaliza um clima de cada vez maior rutura para um futuro governo entre PS e a coligação. E, como se sabe, tem desenvolvido um trabalho profícuo, "nomeadamente com o PCP", como ainda hoje indicou.