“Dama de ferro”, talvez pouco. Muito pouco, mesmo, a avaliar pelos relatos de quem a conhece e conheceu ao longo dos tempos, a atual ministra britânica do Interior, líder do Partido Conservador e próxima chefe do governo do Reino Unido. A partir da próxima quarta-feira, quando o demissionário David Cameron sair de cena.

Theresa May não será seguramente um clone da histórica Margaret Tatcher, que governou o país entre 1979 e 1990, com mão de ferro travando duras batalhas. Com a sociedade civil, como foram os episódios das greves promovidas pelos sindicatos dos mineiros e do imposto autárquico Poll Tax, e no plano internacional, caso da guerra das Malvinas, travada com a Argentina por causa da soberania sobre as referidas ilhas.

Agora, as batalhas são outras. A mais importante passa pela saída do Reino Unido da União Europeia, que Theresa May, apesar de eurocética, não apoiou, mas terá de negociar com Bruxelas. No horizonte, poderá também ter de bater-se pela manutenção da unidade do seu país, já que Escócia e Irlanda do Norte, após o voto dos seus cidadãos contra o Brexit, voltam a acenar com desejos de independência.

Garante quem conhece Theresa May que o seu estilo é outro. E que em tempos, até lhe causou irritação a ascensão de Thatcher. Não tanto pelas políticas defendidas, mas por ter sido a primeira mulher inglesa a ocupar o número 10 de Downing Street.

Ela queria ser a primeira mulher a ser primeira-ministra, nos tempos em que estávamos em Oxford e ficou irritada quando Margaret Thatcher lhe ganhou a dianteira. Foi do género – eu queria ser a primeira e ela chegou lá primeiro”, conta Pat Frankland, um antigo colega universitário de Theresa May, ouvido pelo jornal The Guardian.

À data, em 1974, Theresa May tinha 17 anos, mas o antigo colega Frankland garante estar desde então ciente “da sua ambição desde que a conheceu”.

Pai, filha e um espírito, santo

Theresa May fará 60 anos a 1 de outubro. Cursou Geografia em Oxford e é filha de um pastor protestante.

Ele era um vigário, daí ela ter essa bondade cristã. Theresa é basicamente uma pessoa decente e boa. Tem um sentido de decência e de não querer rebaixar as pessoas”, conta o antigo colega.

Já sobre Thatcher, Pat Frankland acha que “não é a heroína de Theresa. Ela acredita na sociedade. Não creio que seja uma Thatcheréte”.

Dos tempos de universidade, sobra também para a história de vida da próxima líder do Reino Unido, o seu casamento com o então colega Philip May, um banqueiro de sucesso na City londrina.

O casal conheceu-se precisamente na universidade de Oxford, numa festa dançante organizada pela juventude do partido Conservador. Quem os apresentou, segundo o relato do jornal The Independent, foi Benazir Bhutto. Seria mais tarde, primeira-ministra do Paquistão, sendo assassinada em 2007.

Casada com Philip, a próxima primeira-ministra britânica vive em Sonning-on-Thames, uma zona tranquila perto da cidade de Reading. Têm como vizinhos o ator George Clooney e a mulher Amal, tal como o astro da guitarra Jimmy Page, da lendária banda de hard rock, Led Zeppelin.