O Presidente da República prefere esperar para ver mas continua a acreditar num défice de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano mesmo que a economia cresça apenas 1% - abaixo dos 1,8% inscritos nos Programa de Estabilidade ou dos 1,4% referidos mais recentemente pelo Governo.

Marcelo Rebelo de Sousa diz que os dados desta semana são contraditórios. 

Há dados positivos". Do emprego, sobretudo na faixa entre os 35-44, em que o desemprego caiu 7%, e no total que está abaixo dos 11%, recorda o Presidente. Que fala ainda dos bons sinais que chegam dos indicadores de confiança e da coleta de impostos, concretamente de IRC às empresas.

 

E há sinais negativos do crescimento do PIB", refere Marcelo Rebelo de Sousa, comentado diretamente a estimativa rápida do INE divulgada hoje e que prevê que a economia cresça menos que o esperado no segundo trimestre deste ano. 

 

Há uma desaceleração face ao previsto [o Banco de Portugal apontava para um crescimento de 0,5% no trimestre", acrescenta. O INE diz que o PIB deve crescer 0,2% em cadeia e 0,8% face ao homólogo.

"Só esperando para ver" concluiu o Presidente. "Se estamos perante sinais de que a economia está a mexer", nomeadamente neste período de turismo que pode explicar o emprego. E que a confiança explica a evolução do IRC. Ou se, afinal os sinais podem não corresponder a um crescimento da riqueza efetiva criada e que fará então perigar as previsões do Governo para o conjunto do ano.

De qualquer modo diz que "o que tem que ser tem muita força” e por isso “Portugal tem que cumprir o défice e os compromissos com Bruxelas”. E isso, reforça o Presidente, mesmo que a economia cresça menos, até 1% se for o caso.

"Os números veem apenas confirmar os dois dados presentes na conversa que tive com os partidos há semana e meia", reforça o chefe de Estado. Dois fatores que no entendimento de Marcelo são determinantes. A importância dos fundos estruturais "irem para o terreno". E um segundo aspeto, a “contenção da despesa” que leva a que se cumpra a execução de 2016 e se faça a preparação para 2017.

Só assim será possível chegar aos 2,5% de défice para este ano. Porque afinal "o que tem que ser tem muita força".