O Presidente da República, Cavaco Silva, recebe na sexta-feira de manhã o candidato do PS a primeiro-ministro, António Costa. Um encontro que acontece por «convergência de vontades» entre as duas partes. A audiência de António Costa com Aníbal Cavaco Silva está marcada para as 10:30, no Palácio de Belém, à mesma hora em que decorre o debate quinzenal na Assembleia da República.

O candidato socialista a primeiro-ministro, António Costa, considerou, esta quinta-feira, que o Governo transmite «instabilidade» ao revelar «dificuldade» em fechar o Orçamento e criticou Passos Coelho e Carlos Costa por tentarem iludir a dimensão dos riscos do BES.

António Costa falava aos jornalistas no final da sua primeira reunião com o Grupo Parlamentar do PS, cuja bancada é desde sexta-feira liderada por Ferro Rodrigues.

Questionado se o PS já decidiu votar contra a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2015, o presidente da Câmara de Lisboa começou por remeter para a bancada socialista a decisão sobre o sentido de voto. «Quando for apresentada, iremos avaliar a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2015. Mas a grande questão é saber quando é que o Governo conclui este Orçamento e o apresenta», contrapôs o vencedor das eleições primárias socialistas.

Confrontado com algumas medidas preliminares que deverão constar na proposta de Orçamento do Governo, António Costa recusou-se a comentar «notícias sobre orçamentos que não existem».

«Quase no fim do prazo para a entrega, registo que o Governo ainda vai reunir no próximo sábado para ver se consegue finalizar o Orçamento. Entendo que é um mau sinal sobre a estabilidade do país, um reflexo da intranquilidade que existe e da dificuldade que o Governo tem em conseguir produzir um Orçamento», advogou.

De acordo com António Costa, o processo de elaboração do Orçamento «é mais uma demonstração que o Governo se encontra esgotado nas suas soluções». «Este Governo tinha um único programa que era executar o programa da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia). Aqui chegados, nada mais tem a dizer ao país e não consegue concluir bem esta legislatura. O país necessita com urgência de estabilidade», defendeu.

Interrogado sobre as afirmações proferidas pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na quarta-feira, segundo as quais os contribuintes, por via da Caixa Geral de Depósitos, poderão eventualmente, de forma indireta, suportar prejuízos resultantes do Banco Espírito Santo (BES), António Costa disse que essas palavras «confirmam os maiores receios que foram expressos aquando da apresentação da solução» para este banco.

«Infelizmente, quer o Governo, quer o senhor governador do Banco de Portugal [Carlos Costa], quiseram iludir a existência desse risco. Todos desejamos que as coisas corram o melhor possível, que os contribuintes não sejam afetados, mas cada vez é mais claro que não é possível ilidir a existência desse risco - um risco que o Governo começa finalmente a assumir», declarou.