A Polícia francesa emitiu um comunicado a pedir ajuda para localizar dois suspeitos de ligação aos atos terroristas dos últimos dias. O comunicado divulgado através das redes sociais mostra as fotografias de dois jovens, um rapaz e uma rapariga, assim como os respetivos nomes e datas de nascimento.
 

«Pedimos a todas as pessoas que tenham informações que permitam localizar os dois suspeitos nas fotografias que contactem o Estado Maior da Polícia Judiciária de Paris, através do número verde 0805 02 17 17», apela a polícia.

«Estas pessoas, suscetíveis de estarem armadas e serem perigosas, foram objeto de mandado de detenção da Procuradoria de Paris por homicídio voluntário, ligado ao ato terrorista de 8 de janeiro em Montrouge», lê-se também no comunicado. 

De acordo com o jornal «Le Monde», a jovem que aparece no comunicado da polícia, Hayat Boumeddiene, é a antiga companheira de Amedy Coulibaly, o outro suspeito que a polícia pede ajuda para localizar.

O suspeito que conheceu pessoalmente Sarkozy
 
Amedy Coulibaly, 32 anos, tem, de acordo com relatórios anti-terroristas, tem ligações com Chérif Kouachi, um dos presumíveis autores do atentado no «Charlie Hebdo». É apontado, agora, como o terceiro homem responsável por esse ataque (recorde-se que, inicialmente, um jovem de 18 anos entregou-se às autoridades depois de ter visto o seu nome circular nas redes sociais como sendo o terceiro elemento).

Segundo a TF1, Coulibaly poderá ser o atirador que matou a mulher polícia na quinta-feira e, igualmente, o autor do tiroteio de Porte de Vincennes. O suposto assassino foi condenado, em 2010, por tentar colaborar na tentativa de fuga de um jihadista, Smain Ait Ali Belkacem, o homem que foi condenado a prisão por ter bombardeado a estação de metro de Orsay, também em Paris, em outubro de 1995. Um ataque que causou 30 feridos, na altura. Durante as buscas que ocorreram na casa, a esse propósito, foram encontrados 240 cartuchos calibre 7.62 e uma Kalashnikov. 

O seu historial de crimes vem desde os tempos em que ainda era menor de idade. Foi repetidamente condenado por assalto à mão a partir de 2001, sendo que, em 2004, foi condenado a seis anos de prisão. Quando saiu, andou nos meandros da droga, tendo sido condenado a ano e meio de prisão por tráfico de estupefacientes. Tinha então 24 anos. Depois disso, alegadamente sossegou. Até teve um contrato de profissionalização com a Coca-Cola, na sua terra natal (Grigny). E conheceu o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, em 2009.
 
Amedy apareceu numa reportagem do «Le Parisien», a propósito da visita de Sarkozy a empresas que empregam jovens. Na altura, o agora suspeito dos tiroteios em França, foi um dos jovens entrevistados pela publicação francesa, tendo merecido destaque em título.

Na reportagem, disse que estava «realmente agradado» por conhecer o Presidente francês e tinha a expectativa de que Sarkozy o ajudasse «a conseguir um emprego». Admitiu que o chefe de Estado não era «muito popular entre os jovens», mas que isso não era nada de «pessoal». Acontecia com «a maioria dos políticos».  

Ficou a saber-se também, por esse artigo, que Coulibaly tem nove irmãs.

Coulibaly é apontado, ainda, como um dos principais discípulos de Djamel Beghal, já condenado  por terrorismo. De acordo com a AFP, que cita pessoas familiarizadas com o assunto, Coulibaly e Chérif Kouachi foram vistos juntos em 2010, precisamente quando visitaram esse líder do islamismo radical francês.