O PCP acusou esta sexta-feira a Autoeuropa de promover uma "política de garrote" sobre as empresas do Parque Industrial, lançando concursos para fornecedores em que as empresas vencedoras são as que pagam salários mais baixos.

"As administrações das empresas prestadoras de serviços e do Parque Industrial da Autoeuropa têm responsabilidades, mas o facto é que a Autoeuropa desenvolve uma 'política de garrote' à volta destas empresas, lançando concursos para fornecedores e prestação de serviços em que as empresas que ganham, para atingir os valores pretendidos, são as que pagam salários mais baixos e que menos respeitam os direitos dos trabalhadores", refere uma nota de imprensa dos trabalhadores comunistas do Parque Industrial da Autoeuropa.

"Esta política da Autoeuropa, que na prática é a de usar as empresas prestadoras de serviços e do Parque Industrial apenas quando lhe é mais favorável financeiramente, tem sido evidente e socialmente devastadora ao longo dos anos", acrescenta o documento divulgado pelo PCP, na sequência de uma reunião efetuada na passada terça-feira pelo deputado comunista Bruno Dias com as comissões de trabalhadores.

A nota de imprensa dos trabalhadores comunistas do Parque Industrial da Autoeuropa salienta que "os novos concursos lançados pela Autoeuropa nada referem sobre a massa salarial e os direitos adquiridos pelos trabalhadores" e considera que esse facto constitui "um claro convite à precariedade e aos baixos salários".

"O PCP defende há muito que nos concursos para prestação de serviços e fornecedores da Autoeuropa tem de existir a preocupação do aumento da incorporação da produção nacional e o respeito pelos salários e direitos adquiridos de todos os trabalhadores", acrescenta o documento, adiantando que o PCP irá levar o caso a discussão na Assembleia da República.

Os comunistas dão como exemplo o passado recente de diversas empresas, como a Schnellecke, que despediu dezenas de trabalhadores depois de ter perdido um concurso, da Autovision People, que também despediu cerca de 500 trabalhadores em 2014, e da Webasto, empresa que despediu os últimos 80 trabalhadores no ano passado e que acabou mesmo por encerrar na sequência de alterações na produção da Autoeuropa.

O PCP alerta ainda para a possibilidade de outras empresas, designadamente a Logiters e a Acciona, que prestam serviços à Autoeuropa, se encontrarem atualmente numa situação de incerteza por terem perdido um concurso, situação que, na opinião dos trabalhadores comunistas, poderá pôr em causa o futuro de mais 260 trabalhadores.

No princípio desta semana, a Coordenadora das Comissões de Trabalhadores admitiu que havia cerca de 300 trabalhadores de empresas do Parque Industrial em risco de perder o emprego devido à quebra de produção da Autoeuropa.

A partir do mês de setembro, a fábrica de automóveis da Autoeuropa vai passar de dois para apenas um turno de produção, situação que se poderá prolongar até ao início de produção d um novo modelo, prevista para meados de 2017.

A agência Lusa tentou obter um comentário da Autoeuropa, mas não foi possível em tempo oportuno.