Para antiga ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, os casos recentes resultantes do incêndio em Pedrógão Grande e do desparecimento de material militar das instalações militares de Tancos vieram pôr a nu um distanciamento preocupante entre o Governo e os elementos da administração pública.

São funções inalienáveis do Estado, Segurança e Defesa", lembrou a comentadora da TVI, na 21.ª Hora da TVI24, considerando que o caso do "assalto é muito mais grave, porque aí não houve fenómenos naturais. Não foi uma tempestade".

Manuela Ferreira Leite considera, contudo, que ambos os casos mostram "a separação que existe neste momento, o divórcio total entre o Governo, os diferentes ministros e a administração pública". "Dá a sensação de que cada um está para seu lado", acrescentou a comentadora, na 21.ª Hora, na TVI24.

Com dificuldade um Estado funciona sem se apoiar numa administração pública", lembrou Ferreira Leite, dando o exemplo de Itália, que sempre sobrevive apesar dos inúmeros Governos que tem conhecido ao longo dos tempos.

Para a comentadora, "os Governos vão ter de se habituar a proteger, a dignificar a administração publica e não a desprezá-la", considerando que "a cultura do Estado perdeu-se em troca de uma cultura política-partidária"

Não tenho nenhuma confiança em falar consigo porque é de outro partido e se calhar está aqui para me aldrabar", ironizou Ferreira Leite, para lembrar o problema, que "não é de agora", dos políticos confiarem antes nos seus assessores, em detrimento dos funcionários do Estado.

"Férias do primeiro-ministro são um enigma"

Confrontada com o facto de António Costa se manter de férias, numa semana particularmente agitada, a antiga ministra das Finanças acabou por considerar que teria o primeiro-ministro teria feito melhor se as interrompesse.

As férias do primeiro-ministro são um enigma. Uma pessoa quando vai de férias vai por uma questão de sanidade mental, para descansar. Acho que ele não está de férias. Porque não está descansado", considerou Manuela Ferreira Leite.

Esgotou o periodo de ferias sem ter férias. Não deve fazer outra coisa, senão falar ao telefone, não deve dormir muito. É um enigma", advogou a comentadora da TVI.