Surgem mais no verão e a culpa é da água quente do mar ou da piscina. A “otite do nadador” é uma otite externa com origem infeciosa ou fúngica, que tanto afeta crianças como adultos mas é mais frequente nos mais pequenos, com idades entre os sete e os 12. As principais queixas são dor, comichão, audição abafada, sensação de bloqueio do ouvido e febre nos casos mais graves.
 
Em entrevista na TVI24, a coordenadora da unidade de otorrinolaringologia do Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, Dra. Luísa Monteiro, explicou como atuar em caso de infeção.
 
“Os sintomas são ligeiramente diferentes [de uma otite comum], mas às vezes é difícil para o médico que não tenha formação específica fazer o diagnóstico diferencial. É muito frequente a dor ao toque, é um sintoma diferenciador. Portanto, a criança ou o adulto a vestir a t-shirt ou a camisola tem logo uma dor no ouvido, ao toque também e apresenta-se com um inchaço da parede do canal e pus. É muito importante fazer o diagnóstico diferencial porque o tratamento normalmente não implica antibióticos orais, implica limpeza do canal, que muitas vezes tem de ser feita numa consulta da especialidade e a aplicação tópica de gotas no ouvido. O problema destas otites é que têm tendência para ser recidivantes, ou seja, uma pessoa que tenha uma vez na vida pode ter todos os verões”, observou.
 
E quem viaja para o sul do país ou para outros climas quentes no estrangeiro corre mais riscos.

“É mais frequente no nosso país em praias com água mais quente. Os nossos colegas do Norte têm muito menos ocorrência de otites externas do que os médicos que trabalham no Sul e tratam as pessoas que vão para o Algarve e praias alentejanas”, destacou a Dra. Luísa Monteiro.

A cura, avisou a especialista, é demorada e obriga a alguma disciplina, sobretudo em tempo de férias.
 
“Às vezes leva uns dias e temos de avisar as pessoas para que não consultem sucessivos médicos. Isto leva algum tempo a tratar, 3/4 dias, dependendo da gravidade. Uma coisa muito importante é que durante esse tempo não haja entrada de água no ouvido. Durante o tratamento não podem tomar banho em piscinas, no mar e mesmo em casa têm de tomar precauções”, alertou.
 
Os tampões para os ouvidos podem ser uma solução, mas não para todos. “Fazem sentido [na fase em que não se pode tomar banho], mas, muitas vezes, não são suportados pelo paciente porque têm um grande edema e inflamação no ouvido”, esclareceu a coordenadora da unidade de otorrinolaringologia do Hospital dos Lusíadas, em Lisboa.