O presidente da Logoplaste, Filipe de Botton, manifestou-se hoje preocupado com a ausência de uma «verdadeira reforma do Estado», defendendo que as funções do Estado na economia devem ser reduzidas «ao mínimo».

«Para mim, Estado na Economia é longe, de costas e no nevoeiro», disse o empresário que falava num encontro de executivos em Lisboa, que contou com a presença do ministro da Economia, António Pires de Lima.

Para Filipe de Botton, nos últimos cinco anos, não houve um verdadeiro pensamento sobre a posição do Estado na economia: «Preocupa-me o dia de amanhã. Qual o pensamento que temos para o nosso país, para o sistema de Segurança Social, para o sistema de saúde?».

«Quanto menos Estado tiver, melhor estaremos. Devemos reduzir ao mínimo a função do Estado. Só quero um Estado regulador», disse.

O empresário aproveitou ainda a intervenção para manifestar a sua preocupação com aquilo que diz ser o «oligopólio do sistema financeiro em Portugal.»

Em resposta, Nuno Amado lembrou «não haver qualquer setor em Portugal tão concorrencial como o bancário», onde existem «sete ou oito» operadores a concorrerem «de forma efetiva no mercado».

Durante a sua intervenção e sobre o futuro de Portugal, o presidente do BCP sublinhou que é altura de se olhar mais para o setor privado.

«Devemos olhar mais para as empresas privadas e menos para as empresas públicas», defendeu o banqueiro, depois de manifestar a sua preocupação com «forças enormes» que tentam que Portugal «volte ao antigamente, ao pré-crise».

Sobre a «saída limpa» do programa de assistência financeiro de Portugal, anunciada no domingo pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, Nuno Amado considerou-a «vantajosa» e «inquestionavelmente» favorável para todos, na medida em que pressupõe o «acesso aos mercados».

Também presente no encontro, o presidente da Vodafone Portugal, Mário Vaz, aplaudiu a opção, referindo terem sido «boas notícias» para os acionistas da empresa, uma vez que «reforça a confiança» em Portugal.

No final, o ministro Pires de Lima, salientou que o Governo «tem um trabalho de responsabilidade orçamental que não pode parar», mas o Estado «teve e tem que continuar o seu papel facilitador de negócios».

«O papel fundamental da consolidação do crescimento económico está no setor privado», disse o governante, lembrando a importância que a modernização dos setores mais tradicionais da economia teve na recuperação das exportações.