A sociedade ucraniana de hidrocarbonetos Naftogaz anunciou hoje ter pago à congénere russa Gazprom a totalidade da factura do gás russo fornecido em Fevereiro, encerrando o que poderia tornar-se uma nova crise do gás, refere a Lusa.

«A Naftogaz pagou 100 por cento dos fornecimentos de gás em Fevereiro. Hoje foram pagos 50 milhões de dólares ao gigante do gás russo Gazprom, uma soma que se acrescenta aos 310 milhões de dólares já pagos esta semana», disse o porta-voz da empresa ucraniana Ilia Savvine.

O pagamento foi confirmado pela Gazprom que indicou num comunicado que «a Naftogaz Ucrânia saldou totalmente os fornecimentos de gás para Fevereiro».

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, tinha ameaçado hoje voltar a cortar o fornecimento de gás à Ucrânia, e consequentemente a parte da Europa, se Kiev não pagasse até sábado a factura do mês de Fevereiro, e condenou a operação realizada quarta-feira pelo serviço de segurança nacional da Ucrânia aos escritórios da Naftogaz na sequência de denúncias sobre alegados desvios de gás russo.

Em Janeiro, a Rússia suspendeu os fornecimentos de gás à Ucrânia durante mais de duas semanas, causando uma crise que afectou fortemente vários países europeus.

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse também hoje esperar que não se repita uma crise de fornecimento de gás da Rússia à Europa através da Ucrânia, advertindo que tal «não ajudará» as relações da UE com Moscovo e Kiev.

Um quarto do gás natural consumido na Europa é fornecido pela Rússia e quase todo (80 por cento) esse gás é canalizado através dos gasodutos que atravessam a Ucrânia.