Em 2020, a energia eólica gerada na Europa poderá abastecer o equivalente a 60 por cento dos lares europeus, sustenta esta terça-feira a Associação Europeia da Energia Eólica (EWEA), escreve a Lusa.

Essa quantidade corresponderia a uma capacidade instalada de energia de procedência eólica de 230 gigawatts, que é a meta apontada pela EWEA, segundo anunciaram os seus responsáveis numa conferência que esta terça-feira começou em Marselha.

Meta possível

Arthouros Zervos, presidente desta Associação, defendeu as perspectivas em crescendo do aproveitamento desta energia renovável, apoiadas pelos objectivos assinalados na directiva comunitária de Energias Renováveis, na sequência do acordo alcançado em 2008.

Os 230 gigawatts são um aumento em relação aos 180 que a própria associação tinha apostado como objectivo anteriormente, explicou Zervos, precisando, no entanto, que só se alcancerá essa meta se todos os Estados comunitários cumprirem com os prazos previstos.

A energia gerada por esses 230 gigawatts seria suficiente para abastecer o equivalente a 135 milhões de lares de tipo médio na UE e assim se forneceria entre 14 a 18 por cento da procura eléctrica em 2020, acrescentou Zervos.

Substituir combustíveis

O comissário europeu da Energia, Andris Pielbags, afirmou na mesma conferência que «a energia eólica pode substituir em grande medida os combustíveis contaminantes e finitos de que actualmente dependemos», segundo um comunicado dos organizadores da reunião.

De acordo com dados da Comissão Europeia, 3,5 por cento das reservas certificadas de carvão estão na UE mas os países da União Europeia só têm 2 por cento das de gás, menos de 2 por cento das de urânio e abaixo de 1 por cento das de petróleo de todo o mundo.

«Com o tempo a Europa perderá a batalha», alertou o comissário, recordando que as empresas europeias têm duas terças partes do mercado mundial da tecnologia da energia eólica, avaliada em 35 mil milhões de dólares.

O que é que Portugal tem?

A reunião de Marselha, que decorre até quinta-feira, abordará outros temas relacionados com a energia eólica, como assuntos políticos, técnicos e científicos.

No sábado, no Mindelo, São Vicente, o primeiro-ministro, José Sócrates, frisou para uma plateia maioritariamente constituída por estudantes universitários, que Portugal tem «a quarta maior empresa mundial na área das energias renováveis».

«Temos o maior parque eólico da Europa e estamos a mudar o nosso paradigma energético em Portugal», sustentou ainda.

Sócrates prometeu auxiliar Cabo Verde nos seus projectos de desenvolvimento de energias renováveis, manifestando-se disponível para transferir tecnologia nacional e incentivar a participação de empresas portuguesas em parcerias.

As palavras de José Sócrates foram proferidas no pólo de São Vicente da Universidade de Cabo Verde, após a assinatura de um memorando entre os governos de Portugal e de Cabo Verde, prevendo a abertura de uma linha de crédito de 100 milhões de euros para apoiar projectos cabo-verdianos na área das energias renováveis.