Foi um duro combate de início até ao fim. No segundo debate presidencial, Hillary Clinton e Donald Trump vestiram as luvas antes de entrarem no estúdio na Universidade Washington, em St. Louis, e só as tiraram na última pergunta da audiência. Foram 90 minutos de grande tensão, com um primeiro terço pleno de ataques e acusações.

A expectativa era enorme, até porque cerca de uma hora antes do debate, Trump convocou uma conferência de imprensa, fazendo-se acompanhar de quatro mulheres que diziam ter sido ofendidas por Bill e Hillary Clinton. Paula Jones, Juanita Broaddrick, Kathleen Willey e Kathy Shelton acusaram a dupla e disseram estar ao lado de Trump. Viriam a sentar-se na primeira fila da audiência durante o debate.

Bill Clinton também marcou presença, assim como Melania Trump e os três filhos mais velhos do milionário. Antes da entrada dos candidatos, todos se cumprimentam e seguem para o camarote. Chelsea Clinton não entra na mesma altura para os cumprimentar e entra mais tarde para junto do pai.

A tensão nos instantes iniciais era enorme. Os candidatos finalmente entram na sala e não se cumprimentam. Está aberta a sessão, num debate estilo “town hall”, onde muitas das perguntas foram feitas por um grupo de indecisos, mas também vieram das redes sociais e dos dois moderadores.

A primeira pergunta de Anderson Cooper foi logo sobre a gravação de que se tem falado nos últimos dias. “Era conversa de balneário”, disse Trump, assegurando que nunca fez às mulheres o que disse que fez durante a conversa, para depois falar sobre a necessidade de atacar o Estado Islâmico. “Tenho muito respeito pelas mulheres e fiquei embaraçado pelo que aconteceu, mas nunca fiz aquelas coisas. Ninguém respeita mais as mulheres do que eu”, frisou.

Já disse em junho que ele não está preparado para ser Presidente”, respondeu Hillary, lembrando ataques de Trump a várias franjas da população, como os muçulmanos, ou os latinos. Nesta fase, o republicano parecia mais nervoso e tentava interromper: “São só palavras”

Não estou orgulhoso pela gravação, mas Bill Clinton fez bem pior. O que fez aquelas mulheres, abusou delas. Hillary também as atacou e quatro delas estão cá. Ela devia ter vergonha”, disse Trump, enquanto se ouvia palmas. Hillary tentava segurar-se perante os ataques: “Lembro-me do que Michelle disse. Quando eles descem, nós subimos. Se fosse só um video o que ele diz era de entender, mas ele nunca se desculpou por mais nada. Como aconteceu com o senhor Khan ou as acusações sobre a nacionalidade do Presidente”.

Uma coisa é certa, Hillary não gastou tempo a defender o marido Bill.

Hillary presa?

O primeiro terço do debate tinha de chegar ao caso dos emails de Hillary. Trump condena-a por tê-los apagado, Clinton irrita-se e o magnata diz que se for Presidente vai criar uma equipa especial para investigá-la. Hillary diz que o que ele diz é mentira e Donald lança uma série acusação: “Vais estar na prisão”

Irritado com as interrupções dos moderadores, Donald entra numa nova fase e parece conseguir controlar-se. Chega a dizer que é um gentleman, mas nunca deixa de atacar Hillary, que opta sempre por conter-se.

Há espaço para perguntas sobre a vida dos muçulmanos nos Estado Unidos, Trump esclarece a sua posição (que agora denomina como “veto extremo”) e rapidamente chega-se aos temas de intervenção no estrangeiro, como o Iraque e a Síria.

Ainda as revelações sobre os discursos de Hillary revelados pela Wikileaks. Clinton esclareceu que quando falava de ter uma posição privada e outra pública referia-se a Lincoln e aproveitou para referir que a Rússia está por trás dos ataques informáticos.

Ela foi apanhada numa mentira e está a culpar Lincoln. Eu não conheço Putin, acho que era bom dar-nos com os russos, porque combatíamos juntos os Estado Islâmico. Não tenho empréstimos russos. Não sei nada sobre a Rússia”, frisou Trump, que teve ainda oportunidade para confirmar que sobre os seus impostos usou a cláusula em 1995 para não pagar após uma certa de milhões de dólares.

Muito afirmativo no último terço do debate, Donald Trump considerou que tudo o que Hillary faz “é só conversa”, acusando-a de não ter mudado nada em vários assuntos apesar de trinta anos de vida política. E foi quando se chegou à situação da Síria que voltou a surpreender, pois disse discordar do seu vice-presidente no que diz respeito à estratégia de combate contra a Rússia.

Cumprimento no final

Perante uma “nação dividida”, como admitiu o próprio Trump, os dois candidatos chegam ao final do debate sem a tensão da parte inicial. Donald pergunta “quão estúpido é o país” por ter entrado na guerra no Iraque; Hillary pede desculpa mais uma vez por ter considerado deploráveis alguns dos apoiantes de Trump, porque o seu problema é com o opositor politico e não com os apoiantes.

A questão final feita pelo público ajudou a libertar a pressão na sala. Foi perguntado se viam algo de positivo um no outro, o que soltou gargalhadas nos dois. Clinton respondeu primeiro para dizer que respeitava os filhos do outro candidato, o que suscitou um sorriso de Trump. Donald agradeceu o gesto e elogiou a democrata: “Ela é uma lutadora e respeito que ela nunca desista de lutar”.

Ao contrário do que tinha acontecido no início, os dois acabam por cumprimentar-se no final e vão ter com as suas famílias. O último debate realiza-se no dia 19 de outubro.