Alunos da Escola Básica 2/3 Azeredo Perdigão, de Viseu, manifestaram-se esta segunda-feira contra a política educativa, acusando a ministra Maria de Lurdes Rodrigues de estar a prejudicá-los ao sobrecarregar os professores com o processo de avaliação, noticia a Lusa.

Os portões da escola foram encerrados durante a noite com cadeado que acabaram por ser retirados pela PSP cerca das 8h45.

Parte dos alunos optou por frequentar normalmente as aulas, sobretudo os do quinto e sexto anos, mas cerca de uma centena permaneceu no exterior da escola, exibindo camisolas com as inscrições «Ministra para a rua, a luta continua».

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No gradeamento da escola foi colocada uma faixa, onde podia ler-se «Enquanto a ministra não bazar, esta escola vai fechar... chega destas leis... os alunos estão fartos».

Daniela Bento justificou à agência Lusa que os alunos estão preocupados «com o estado a que chegou a escola», porque «os professores andam cansados, não conseguem dar aulas, não passam tempo com a família, só andam com reuniões atrás de reuniões».

«Os nossos professores chegam às aulas cansados, mal nos conseguem ouvir e dar a matéria. Os professores têm muitas turmas e muitas reuniões», lamentou outra aluna, Beatriz Santos.

A aluna deu o exemplo da professora de Geografia, que «tem quase todas as turmas do oitavo ano e ainda turmas do sétimo» e que «está esgotada, porque tem reuniões até às tantas da noite e ainda vai para Aveiro para poder estar um bocadinho com a família».

Já Raquel Araújo queixou-se enquanto aluna e filha de uma professora.

«A minha mãe chega a casa cansada das reuniões, não consegue fazer o jantar, quase nunca estou com ela. Ela só está na escola, com reuniões, e quando está em casa é no computador para trabalhar para a escola», contou.

Os estudantes mostraram-se também preocupados com o regime de faltas previsto no novo Estatuto do Aluno, dizendo desconhecer o despacho assinado domingo pela ministra da Educação, que desobriga os alunos com faltas justificadas da realização de um exame suplementar.