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«Cavaco é o Presidente mais partidário de sempre»

Carlos César acusa PR de ter promovido a «ascensão» ao poder do actual Governo

Por: Redacção / PP  |  16- 10- 2011  0: 51

Carlos César

O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, acusou este sábado Cavaco Silva de ser o Presidente da República «mais partidário» desde o 25 de Abril e de ter promovido a «ascensão» ao poder do actual Governo.

Numa entrevista no programa «Portugal 2011», na Sic-Notícias, ao jornalista António José Teixeira, o dirigente do PS considerou ainda que Cavaco «não é um adepto fervoroso e apaixonado das autonomias regionais» e acusou-o de ter utilizado o Estatuto Político-Administrativo dos Açores, e a declaração ao país sobre o seu veto, no verão de 2008, para um «braço de ferro» com o então Governo de José Sócrates.

O chefe do Governo Regional açoriano admite ter sido «contribuinte» no conflito que envolveu o Estatuto, na medida em que lidera o partido maioritário que aprovou a sua revisão, mas imputou «toda a dimensão desajustada e desproporcional que lhe foi introduzida e até toda a desconfiança que foi lançada sobre a honorabilidade e o patriotismo dos açorianos» ao actual chefe de Estado.

Carlos César afirmou ter uma apreciação crítica do mandato de Cavaco Silva, apesar de lhe reconhecer algumas «virtualidades»: «Independentemente dessas virtualidades, não há duvida que o senhor professor Cavaco Silva é, entre todos os Presidentes da República eleitos desde o 25 de Abril, o Presidente mais partidário de sempre».

«Todos os outros Presidentes distinguiram-se claramente da sua origem partidária, fizeram até muitas vezes questão de o evidenciar, o senhor Presidente da República actual, nos momentos chave da política nacional, tem tido uma actuação claramente associada ao PSD, que tem beneficiado objectivamente o PSD», afirmou, acrescentando que Cavaco Silva foi «um promotor da ascensão do PSD à área governativa».

O presidente do Governo açoriano referiu ainda não ter mantido qualquer conversa prévia com Cavaco Silva antes do Presidente da República, então ainda no seu primeiro mandato, ter vetado o Estatuto daquela região autónoma e que o chefe de Estado actuou «claramente fora» da habitual concertação política que existe em matérias legislativas potencialmente sensíveis.

Carlos César disse, no entanto, ter «uma relação pessoal fácil» com Cavaco, o que, aliás, «tem sido evidenciado nas suas visitas aos Açores, onde é sempre muito bem recebido».

Carlos César disse ainda que «não deseja» candidatar-se a líder do PS ou à Presidência da República, mas que, por circunstâncias que «não dependem de nós», todas as coisas na vida «estão sempre em aberto».

«O meu contributo para os Açores e para o meu país será sempre dado na medida das minhas possibilidade, sendo certo que para contribuir para o meu partido e para o meu país não é necessário, nem eu desejo, passar por candidaturas à liderança do PS, por candidaturas à Presidência da República», declarou Carlos César.

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