Os governos de Portugal e de Angola assinam esta quarta-feira acordos para a duplicação da linha de crédito das exportações nacionais, que passa para mil milhões de euros, e criação de uma nova de 500 milhões de euros, refere a Lusa.

A cerimónia de assinatura dos acordos será presidida pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, e pelo chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, depois de um encontro político que ambos terão ao início da manhã em São Bento.

Estes dois acordos em torno de linhas de crédito, aos quais de junta um terceiro entre a Caixa Geral de Depósitos e a Sonangol para a criação de um banco de investimentos (de direito angolano), serão assinados pelos ministros das Finanças dos dois países.

De acordo com fonte do Governo de Lisboa, a duplicação da linha de crédito de apoio às exportações e aos investimentos portugueses em Angola «traduz o aprofundamento das relações económicas entre os dois países» e consequente «necessidade de melhoria dos instrumentos de apoio a uma actividade económica mais intensa e mais exigente».

Esta linha de crédito de apoio às exportações tinha o valor de 100 milhões de euros em 2004, passou para 300 milhões de euros em 2006 (por ocasião da visita oficial de José Sócrates a Angola) e chegou aos 500 milhões de euros em Julho último, na última vez que o primeiro-ministro português esteve em Luanda.

A linha de crédito deverá funcionar como um seguro de crédito para as operações de médio e longo prazo financiadas pelo sistema bancário português, tendo em vista a aquisição por importadores angolanos de bens de equipamento e serviços de origem portuguesa.

Os governos de Portugal e de Angola vão ainda criar uma nova linha de crédito comercial da Caixa Geral de Depósitos (CGD), no valor de 500 milhões de euros.

Segundo fonte do executivo de Lisboa, esta nova linha de crédito "terá o aval do Estado angolano e destina-se a financiar projectos de investimento público para a construção de infra-estruturas em Angola com a participação de empresas portuguesas.

No seu conjunto, estas duas linhas de crédito vão atingir 1500 milhões de euros já este ano, depois de 2008 as exportações nacionais terem tido no mercado angolano o seu quarto melhor cliente mundial, a seguir à Espanha, Alemanha e França.

Paralelamente, na cerimónia, os ministros de Portugal e de Angola com a tutela da Ciência assinam um memorando de entendimento no domínio do Ensino Superior.

De acordo com o Governo de Lisboa, o memorando prevê que no espaço de dois meses se chegue a um acordo de cooperação entre os executivos português e angolano para a mobilidade do corpo docente e de investigadores dos dois países.

O memorando prevê ainda o apoio à formação graduada no Ensino Superior, ao nível da investigação científica e a colaboração entre universidades de ambos os países.

A assinatura destes acordos representará o último acto do programa de dois dias de visita de Estado do presidente angolano a Portugal.

Antes da assinatura dos acordos, José Sócrates e José Sócrates terão um encontro político, no qual também estarão presentes os ministros dos Negócios Estrangeiros, das Finanças e da Economia dos dois países.