O Banco Espírito Santo registou prejuízos de 2,598 mil milhões de euros no ano passado, segundo o relatório e contas enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários.

Um resultado que a administração justifica com a imposição do Banco de Portugal que levou à troca de dívida senior do Novo Banco para o BES.

Em comunicado a instituição, liderada por Luís Máximo dos Santos, refere que o resultado constitui um reflexo contabilístico “dos eventos ocorridos durante todo o exercício de 2015, incluindo as deliberações do Banco de Portugal de 29 de dezembro de 2015 (…) sobretudo, a retransmissão para o BES das responsabilidades decorrentes das cinco emissões de dívida não subordinada devolvidas ao BES”, que representaram um custo contabilístico de 2,237 mil milhões de euros.

Sem tal transmissão, diz o comunicado, o resultado líquido negativo seria de 360,6 milhões de euros, decorrente, “em larga medida, dos resultados da reavaliação cambial de ativos e passivos monetários, expressos em moeda estrangeira (- 98,7 milhões de euros), e das provisões líquidas de anulações (- 152,5 milhões de euros), constituídas em função da ponderação do elevado número de processos judiciais contra o BES.

No conjunto, os proveitos do Banco Espírito Santo foram negativos em mais de 193,5 milhões e os custos cifraram-se em menos 168,3 no ano que passou.

Os dados inscritos na demonstração de resultados vêm agravar ainda mais a situação patrimonial do BES “mau”. O passivo da instituição cresceu para 5,446 mil milhões de euros. Os capitais próprios foram negativos em 5,287 mil milhões em relação os -2,679 mil milhões de 2014. Contas feitas é este o "buraco" orçamental da instituição.

Desde agosto de 2014, no âmbito do processo de resolução que pôs fim ao Banco Espírito Santo, que, o que resta do BES, está em processo de insolvência mas a liquidação só acontecerá após decisão do Banco Central Europeu.