O presidente do CDS-PP e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, sublinhou este domingo a proximidade com as posições do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, e o distanciamento relativamente à diretora-geral do FMI, Christine Lagarde.

«Os problemas que o euro tem tratam-se dentro do euro. Nesta matéria, não estranharão que vos digam: Nós, no partido, estaríamos mais próximos de algumas intervenções que o senhor Draghi tem tido do que de algumas declarações que a senhora Lagarde tem feito», afirmou Paulo Portas.

O líder centrista falava no encerramento da «rentrée» do CDS, que decorreu pela primeira vez em Peniche segundo um modelo de «escola de quadros», com cerca de 150 jovens.

Mario Draghi defendeu, por exemplo, recentemente, na reunião dos líderes dos bancos centrais mundiais, que o BCE está disposto a implementar mais medidas para estimular o crescimento na região da moeda única e apelou aos Governos para introduzirem mais medidas de forma a ajudar a economia.

Quanto a Christine Lagarde, ainda na semana passada Paulo Portas criticou a diretora-geral do FMI, quando esta defendeu que Espanha é o único país da zona euro a progredir devido às reformas estruturais que começam a dar resultados.

Paulo Portas disse que as declarações de Lagarde tinham sido «um lapso involuntário».

O líder centrista perdeu alguns minutos do discurso de cerca de 50 minutos para contestar a defesa da saída do euro, que tem sido abertamente admitida pelo PCP.

«Cuidado com aqueles que dizem que o melhor é sairmos do euro. Isso significaria imediatamente a desvalorização radical das poupanças e dos rendimentos dos portugueses, uma espiral de inflação com consequências devastadoras, a perda do acesso ao financiamento da economia, uma onda de choque que não apenas seria terrível para a nossa classe média, como deixaria mais pobres aqueles que têm direito a sonhar com mais esperança, que são os mais desfavorecidos», sustentou.

Para Portas, «os problemas do euro existem, tratam-se dentro do euro, dentro de Estados soberanos que partilham um projeto». O vice-primeiro-ministro apontou para «o risco de deflação, a necessidade tanto de reformas como de estímulos, a conciliação entre consolidação orçamental e crescimento económico, a efetivação da união bancária».