O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, apontou esta quarta-feira Portugal como “um case study”, depois de um encontro em Berlim com o seu homólogo alemão, o qual insistiu que “a solidariedade e a estabilidade” devem estar “de mãos dadas” na zona euro.

O ministro português das Finanças lembrou que se conseguiu “tirar a zona euro da crise” graças à “forte redução de riscos” e apontou Portugal como “exemplo de sucesso”.

Temos muitos exemplos de sucesso. Portugal é um dos mais importantes ‘case study’ na Europa nestes dias”, afirmou.

O ministro alemão das Finanças, Peter Altmaier, considerou que “antes de sequer se começar a falar sobre partilhar riscos”, se deve “assegurar que os riscos são reduzidos” e indicou que “nunca foi operacional que o sistema europeu de seguro de depósitos estivesse pronto no meio deste ano” até porque, sublinhou, “antes é preciso um acordo sobre a redução do risco”.

A Alemanha quer uma zona euro estável numa União Europeia forte. Por isso, temos de nos agarrar aos nossos princípios que são a solidariedade e a estabilidade, que têm de estar de mãos dadas, a responsabilidade e o controlo têm de ser mantidas juntas. É por isso que temos de completar a União Bancária e também temos de falar sobre como reduzir riscos”, afirmou o ministro alemão.

Mário Centeno disse que “é preciso fazer mais” e que “há pacotes em discussão na Comissão Europeia, no Conselho e no Eurogrupo para reforçar o nível de redução de risco nos países” do euro, mas sublinhou preferir a palavra “gestão”.

Pessoalmente, prefiro a palavra “gestão” de risco porque se baseia numa visão mais sistémica de todo este processo. Estamos numa união monetária, isto implica responsabilidades e também partilhar o nosso futuro comum e temos de ser muito ativos nisso. Por isso, precisamos de gerir ativamente os riscos que existem nas nossas economias e essa é a agenda para os próximos meses”, continuou.

Peter Altmaier é o primeiro ministro das Finanças da zona euro que Centeno visita desde que entrou oficialmente em funções como presidente do Eurogrupo, a 13 de janeiro, mas no dia da "passagem de testemunho”, a 12 de janeiro, em Paris, encontrou-se com o homólogo francês, Bruno Le Maire.

"Linha política de Schäuble”

Posteriormente, o ministro alemão das Finanças, Peter Altmaier, elogiou “as competências” de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo e disse estar “comprometido totalmente com a linha política defendida” por Wolfgang Schäuble.

Em conferência de imprensa, depois da primeira deslocação oficial de Mário Centeno como presidente do Eurogrupo, Peter Altmaier começou por dizer que, no encontro que manteve com Centeno, houve “muitos acordos entre os dois, sobretudo nas questões pendentes que precisam ser resolvidas no Eurogrupo”.

Depois, o ministro alemão lembrou que a Alemanha apoiou a candidatura de Mário Centeno para a chefia do Eurogrupo, desde logo por “Portugal ter ultrapassado as suas dificuldades através de reformas estruturais e da implementação de medidas dolorosas” que levaram a que o país voltasse para “o caminho do crescimento”.

Peter Altmaier acrescentou que Mário Centeno “tem tudo o que é preciso” para liderar o fórum informal dos ministros da zona euro, nomeadamente “competências económicas”, mas também “é uma pessoa capaz de construir pontes, encontrar compromissos e agir num espírito de confiança e cooperação”.

Questionado pela imprensa portuguesa sobre até que ponto foi difícil para a Alemanha apoiar um ministro de um país do sul para a liderança do Eurogrupo - tendo em conta que a crise do euro foi globalmente vista como um confronto entre países do norte e do sul da Europa - Altmaier afirmou que essa divisão “foi um erro desde o princípio”.

A questão não é norte ou sul, ricos ou pobres, a questão é bem-sucedidos ou não, competitivos ou não. É do interesse de todos na Europa encorajar a produção de prosperidade na zona euro. A prosperidade constrói-se só quando se é competitivo, quando se pode criar mais emprego, ter oportunidades de emprego para os jovens e é algo com que a Alemanha está totalmente comprometida”, defendeu.

O ministro alemão reiterou que a Alemanha está muito “orgulhosa de ver as melhorias registadas em Portugal”, mas disse que continua na linha do seu antecessor, Wolfgang Schäuble, conhecido pela defesa das medidas de austeridade.

Já disse a todos os meus colegas no Eurogrupo, em novembro, que como ministro das Finanças interino sinto-me totalmente comprometido com a linha política alemã que foi apresentada e defendida por Wolfgang Schäuble durante tantos anos. Há uma continuidade, mas isso não exclui que todos sintamos que a Europa tem de avançar e temos de conseguir mais resultados, mas na base dos princípios que sempre defendemos”, avisou.

Mário Centeno foi, por sua vez, questionado sobre se se sente mais livre para agir sem Wolfgang Schäuble no ministério alemão das Finanças, ao que respondeu que “quando se está num projeto vencedor não há restrições para a liberdade” e que agora é o líder de um grupo que representa 19 países “que convergem na ideia de tornar o euro mais robusto”.

Se acredito se somos todos vencedores por participarmos neste projeto, só posso ver um futuro brilhante à nossa frente porque isto é o compromisso que temos connosco nos encontros e com os nossos cidadãos em cada um dos nossos países. Esta é a posição que sempre levei para o Eurogrupo e que vou promover de forma mais ativa, se for possível, já a partir de segunda-feira, em Bruxelas”, explicou.