“Primeiro a Grécia tem de ser clara sobre aquilo que quer”, afirmou o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, em reação à nova proposta apresentada pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, aos credores, avança a Reuters.

Para Wolfgang Schaeuble, neste momento, “não há uma base séria para negociações com Atenas”. Falta “uma clarificação”, alega o braço direito de Angela Merkel.


Recorde-se que segundo uma carta que Alexis Tsipras enviou na terça-feira à noite aos líderes europeus, e que foi revelada pelo jornal Financial Times, o primeiro-ministro grego parece estar pronto a aceitar a proposta dos credores que estava em cima da mesa no fim-de-semana passado, com algumas alterações.

No entanto, esta nova posição, como indicam as palavras de Wolfgang Schaeuble, não estão a convencer os parceiros europeus. De acordo com a AFP, o ministro alemão também acrescentou que "antes do referendo, não haverá acordo".

Ainda segundo Wolfgang Schaeuble, antes de 20 de julho não é claro que os parceiros europeus possam votar uma nova ajuda à Grécia. Já perto do final do mês, Atenas tem de pagar 3,5 mil milhões de euros ao Banco Central Europeu. 

“Não vamos fazer previsões em relação a isso”, afirmou o ministro das Finanças alemão, acrescentando a situação legal agora “é diferente”. Alega que num cenário que inclua um novo resgate, será preciso “desenvolver um programa de ajuda novo, perante condições completamente diferentes”.

 

Merkel afasta cenário de novas negociações


"O futuro da Europa não está em risco com a crise grega", afirmou também esta quarta-feira Angela Merkel, no parlamento alemão. A chanceler alemã também afastou, por agora, a possibilidade de novas negociações com a Grécia, até acontecer o referendo.

"Não se pode negociar antes da realização do referendo", sustentou a chanceler.


Em seguida lembra que "foi a Grécia que abandonou as negociações".

"Um bom europeu não é aquele que procura um acordo a qualquer preço, um bom europeu é o que respeita os tratados e a legislação nacional e dessa forma ajuda a que a estabilidade da zona euro não sofra danos", sublinhou Merkel antes de defender de novo a necessidade de que a União Europeia mantenha a sua "responsabilidade comum" e a sua "capacidade de compromisso".


Também o presidente francês, François Hollande, já reagiu à contraproposta de Tsipras, garantindo que o seu país está "a lutar" pela sintonia entre todos na Europa.