O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, assegurou terça-feira à chanceler alemã, Angela Merkel, que os fornecimentos de gás russo à Europa não serão interrompidos devido à crise na Ucrânia, referiu o Kremlin em comunicado.

Em paralelo, o líder do Kremlin avisou a chanceler alemã que a Ucrânia está à beira de uma guerra civil, após o Governo de Kiev ter enviado forças militares contra manifestantes pró-russos no leste do país, acrescenta o texto.

«O Presidente russo sublinhou que a escalada brutal do conflito colocou o país, de facto, à beira da guerra civil», refere uma declaração emitida pelo Kremlin na sequência de uma conversa telefónica entre os dois líderes.

A declaração do Kremlin considera ainda as ações do exército ucraniano no leste do país como «uma ação anticonstitucional para o uso da força contra ações de protesto pacíficas».

O comunicado garante no entanto que os dois responsáveis «enfatizaram a importância» das conversações a quatro sobre a Ucrânia previstas para quinta-feira.

«Foi manifestada a esperança que o encontro de Genebra forneça um sinal claro para o regresso da situação a um contexto pacífico», acrescenta o texto.

Merkel e Putin mantiveram na noite de terça-feira uma conversa por telefone dominada pela preparação da cimeira de Genebra de quinta-feira sobre a crise ucraniana, onde deverão comparecer os ministros dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Ucrânia, Estados Unidos e União Europeia.

«Durante esta conversa, foi discutida em detalhe a atual situação na Ucrânia», precisou previamente em comunicado Christiane Wirtz, porta-voz adjunta do Governo alemão.

«A preparação do encontro previsto para quinta-feira em Genebra dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Ucrânia, Estados Unidos e União Europeia esteve no centro da discussão», acrescentou.

O governo de transição de Kiev ordenou na terça-feira uma operação das suas forças no leste contra os rebeldes pró-russos, definida como «calculada» pelos Estados Unidos, mas o primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev já tinha

considerado como um passo para a «guerra civil».

O Kremlin também sublinhou que a sua participação nas conversações de Genebra na quinta-feira está dependente «da amplitude das iniciativas anunciadas por Kiev».