O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vitor Constâncio, disse esta terça-feira que não se lembra de ter sido chamado por Durão Barroso para falar «exclusivamente» sobre o BPN, mas admite conversas com o ex-primeiro-ministro sobre o tema.

Numa recente entrevista ao jornal Expresso, Durão Barroso disse, sem ser questionado sobre o tema, que enquanto foi primeiro-ministro (entre 2002 e 2004) chamou por três vezes o então governador do Banco de Portugal a São Bento para «saber se aquilo que se dizia do BPN era verdade», indicando possíveis irregularidades no banco nacionalizado pelo Estado português em 2008.

«Nunca recebi qualquer informação sobre possíveis irregularidades concretas no BPN. Depois de tantos anos, não recordo qualquer convocação exclusivamente sobre o BPN», afirmou Vitor Constâncio, que convocou os jornalistas para falar sobre o tema, à margem das reuniões do Eurogrupo e Ecofin que se realizam em Atenas.

Vitor Constâncio diz, No entanto, que se recorda «apenas de uma conversa geral em que se falou de preocupações com o BPN», mas que nessa conversa não se falou de «nada de muito concreto».

O agora vice-presidente do BCE diz que «sobre a substância do caso não existe agora nada de novo» e sublinhou que nunca foi convocado para conversas «exclusivamente sobre o caso BPN», e que não teve evidência «sobre irregularidades concretas» e que «pudessem ser imediatamente investigadas», repetindo o que disse durante anos, que só em 2008 com uma carta anónima foi possível iniciar a investigação que levou à descoberta de duas contabilidades na gestão do banco.

Depois da resposta ao presidente da Comissão Europeia, Vitor Constâncio garante que para si «o caso está terminado».