O economista Vítor Bento disse esta quinta-feira, após o encontro com o Presidente da República acerca da situação política em Portugal, que é fundamental uma base governativa que assegure as necessidades dos cidadãos e que assente numa economia que cresça.

"As pessoas precisam de uma economia que prospere, para poderem melhorar as suas vidas. Para prosperar, a economia precisa de estabilidade política e estabilidade de propósitos - para poderem planear a prazo - de rigor e estabilidade financeira, de flexibilidade e de baixos custos de contexto", afirmou o economista.

"Nesse sentido, é razoável esperar e desejar que a sociedade política consiga produzir as soluções políticas, nomeadamente governativas que assegurem essas condições", adiantou.


O ex-ministro Daniel Bessa também foi recebido esta manhã por Cavaco Silva. O economista reconheceu que a situação económica de Portugal ainda é "bastante difícil".

O Presidente da República, Cavaco Silva, recebe durante esta quarta-feira o governador do Banco de Portugal e, em audiências separadas, sete economistas, antes de ouvir os partidos com assento parlamentar, na sexta-feira.

Cavaco Silva receberá também hoje, às 18:00, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para a habitual reunião semanal.

O encontro de Cavaco Silva com o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, decorrerá às 17:15.
Depois de o XX Governo Constitucional ter sido derrubado a 10 de novembro no parlamento, através da aprovação de uma moção de rejeição por todos os partidos da oposição, Cavaco Silva ouviu, somando os encontros de hoje, 24 entidades sobre o impasse político, ultrapassando o número de personalidades ouvidas pelo seu antecessor, Jorge Sampaio (17), em 2004.

O chefe de Estado começou por ouvir, em nove audiências separadas, as confederações patronais, as associações empresariais e as centrais sindicais. Já esta semana, na quarta-feira, recebeu, em sete audiências separadas, os presidentes dos principais bancos a operar em Portugal e o presidente da Associação Portuguesa de Bancos.

Hoje, Cavaco Silva ouvirá mais sete personalidades da área económica, para além do governador do Banco de Portugal: de acordo com a agenda disponibilizada pela Presidência da República, as audiências começaramm às 10:00 com Vítor Bento, seguindo-se 45 minutos depois o presidente da COTEC, Daniel Bessa.

Os ex-ministros das Finanças João Salgueiro e Luís Campos e Cunha são ouvidos às 11:30 e às 12:15, respetivamente, começando a ronda da tarde às 15:00 com o anterior governante do executivo de José Sócrates, Teixeira dos Santos.

O conselheiro de Estado Bagão Félix, às 15:45, e o ex-ministro da Economia Augusto Mateus, às 16:30, encerram a ronda.

Em 2004, o ex-Presidente da República Jorge Sampaio demorou 10 dias a anunciar a sua decisão perante a crise política aberta pela demissão do então primeiro-ministro Durão Barroso, tempo em que ouviu 17 personalidades da vida pública e o Conselho de Estado.

A ‘lista' de personalidades chamadas a Belém por Jorge Sampaio incluiu ex-primeiros-ministros e ex-Presidentes da República, constitucionalistas, políticos de esquerda e de direita, além do agora chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.

Há 11 anos, o então Presidente da República não ouviu os parceiros sociais, mas optou por chamar a Belém 17 personalidades da vida pública, depois de confrontado com a demissão do então primeiro-ministro Durão Barroso, anunciada a 29 de junho e formalizada a 5 de julho.

Na altura, as hipóteses que se colocavam a Jorge Sampaio eram a convocação de eleições antecipadas ou encontrar uma solução de continuidade dando possibilidade à maioria parlamentar existente - PSD/CDS-PP - de formar um novo Governo liderado por Pedro Santana Lopes, acabando por optar por esta segunda hipótese a 09 de julho.

No entanto, poucos meses depois, a 10 de dezembro, Jorge Sampaio anunciou ao país a decisão de dissolver o parlamento, devido à existência de “uma grave crise de credibilidade do Governo”. Dois meses depois, a 20 de fevereiro de 2005, realizaram-se eleições antecipadas, das quais resultaria a primeira e única maioria absoluta socialista.