O ex-ministro do Trabalho José Vieira da Silva considerou esta quarta-feira que «não há soluções mágicas» que garantam a sustentabilidade do sistema de pensões em Portugal, defendendo que a sua salvação depende, antes de mais, do desempenho da economia.

«Não há nenhuma reforma que seja definitiva. Estou convicto de que a primeira prioridade para salvar o sistema de pensões em Portugal é salvar a nossa economia», disse o economista e deputado do PS, durante uma conferência sobre o futuro do sistema de pensões que decorreu esta quarta-feira em Lisboa.

Durante a sua intervenção, Vieira da Silva afirmou ter «uma grande simpatia» por sistemas mistos de pensões, mas será necessário «criar condições» económicas para que uma solução deste tipo resulte e acima de tudo olhar «para a experiência» de Portugal com sistemas de pensões privados.

Vieira da Silva lembrou que o sistema de pensões apresenta uma «fortíssima exposição às crises económicas», sustentando que entre 2008 e 2013 as contribuições para a Segurança Social aumentaram 2,6%, as pensões 19,4% e o desemprego subiu 74%, números que alimentaram o crescimento da despesa com pensões no país.

Para Vieira da Silva, existe neste momento «uma reserva» de inativos e desempregados entre os 25 e os 44 anos para onde se devem direcionar políticas públicas de forma a reintroduzi-los no mercado do trabalho.

«Nem todos poderão regressar ao mercado de trabalho, mas se a economia portuguesa não tiver capacidade de recuperar uma parte desta reserva que está disponível muito dificilmente conseguirá recuperar o seu sistema de pensões», disse.

O economista avisou ainda que uma situação de estagnação «será igualmente dramática para o equilíbrio do sistema de pensões».