O presidente executivo do BPI, Fernando Ulrich, disse esta sexta-feira não saber nem perceber os discursos feitos em torno da chamada reforma do Estado, sublinhando acreditar que esta deve ser um processo permanente.

«Não sei o que é a reforma do Estado, nunca falo na reforma do Estado e não percebo nada do discurso que é feito sobre reforma do Estado», afirmou o responsável do banco, durante uma sessão no Palácio da Bolsa organizada pela Associação Comercial do Porto e pela Escola de Direito do Porto da Universidade Católica.

Já durante o momento de perguntas e respostas, Ulrich afirmou que, da sua experiência na banca, a maneira como as reformas se fazem é através de «processos permanentes, graduais» sem que haja «varinhas mágicas» ou «decretos, em que um dia faz-se um decreto e no dia seguinte está reformado».

«Não gosto muito da palavra reforma, seja do Estado, seja do banco, não gosto, se calhar porque vou constatando que muita gente usa essa palavra como chavão por trás do qual cabe tudo e cabem todos desde o CDS ao PCP ao Bloco de Esquerda, toda a gente fala da reforma do Estado e depois já ninguém se entende», declarou o presidente executivo do BPI.

Fernando Ulrich realçou que o Estado português «trabalha hoje muito melhor do que trabalhava há 10 ou 20 anos em muitíssimas áreas» e afirmou acreditar «em projetos permanentes, em projetos concretos, o que é preciso fazer na educação não é o mesmo que é preciso fazer na saúde, não é o mesmo que é preciso fazer na justiça».

«Não li o documento da reforma do Estado, nem este nem nenhum, não ligo a isso porque não acho que é assim que se faz. Se calhar é útil para as discussões políticas, mas felizmente a vida é muito mais rica do que papéis e do que trabalho de consultores», disse Ulrich.